elections in brief
publicações do Departamento de Estado dos EUA, outubro de 2008

Pesquisas de OPINIÃO e seus Analistas

Papel essencial nas eleições

elections in brief

ÍNDICE
Introdução
Eleições nos Estados Unidos
O papel dos partidos políticos
Indicação de candidatos à Presidência
Eleições para o Congresso
Pesquisas de opinião e seus analistas
Financiamento de Campanhas
Procedimentos das Eleições nos EUA
 

Lee Miringoff Lee Miringoff do Insituto de Opinião Pública da Faculdade Marista supervisional atividade de pesquisa de opinião. (© Jim McKnight/AP Images)

Embora não façam parte das normas e leis que regem a política eleitoral, as pesquisas de opinião pública tornaram-se parte essencial do processo eleitoral nas últimas décadas. Muitos candidatos políticos contratam especialistas e fazem várias pesquisas. As pesquisas de opinião informam os candidatos sobre como estão sendo percebidos em relação a seus concorrentes e quais as questões predominantes na mente dos eleitores. A mídia — jornais, televisão — também realiza pesquisas de opinião e as divulga (juntamente com resultados de pesquisas realizadas por instituições privadas) para dar aos cidadãos uma idéia de como estão suas preferências quanto a candidatos, assuntos e políticas em relação às preferências dos outros. Há cinqüenta anos, o campo de pesquisas de opinião pública era dominado apenas por uma ou duas organizações de grande porte. Hoje em dia, na era das notícias instantâneas, da internet, dos canais a cabo de notícias 24 horas, inúmeras fontes informam regularmente os resultados das pesquisas.

Pesquisas na história

Atualmente, pesquisas constantes de opinião pública reali­za­das por analistas particulares e competentes tornaram-se corriqueiras para os candidatos de forma individual, bem como para autoridades governamentais de alto escalão, como o presidente, que desejam saber para que lado os ventos políticos estão soprando. Contudo, pesquisas independentes encomendadas pela mídia são mais comuns na história dos EUA.

Embora a primeira pesquisa política tenha sido realizada em 1824 pelo jornal local de Harrisburg, na Pensilvânia, as pesquisas independentes não eram objeto de grande interesse para a cobertura das campanhas políticas pela mídia até os anos 1930. Nos anos 1970, as três principais agências de notícias das redes de televisão americanas (ABC, CBS e NBC) divulgaram suas próprias pesquisas durante as disputas presidenciais e, daí por diante, em importantes eleições estaduais para governador e para o Congresso dos EUA.

eleitores na Pensilvânia Eleitores na zona rural da Pensilvânia (inclusive membros da comunidade amish) entram e saem de um local de votação (© Carolyn Kaster/AP Images)

Modernas pesquisas da mídia — como as realizadas por uma rede de TV de notícias em parceria com um jornal (por exemplo, CBS e New York Times, ABC e Washington Post, NBC e Wall Street Journal) — são feitas com freqüência e podem avaliar a opinião pública sobre candidatos e questões em base semanal ou diária. Elas são bem elaboradas para ser imparciais e independentes. Ao longo das décadas, as pesquisas políticas independentes ofereceram uma visão objetiva das disputas eleitorais, uma avaliação dos pontos fortes e fracos de cada candidato e uma análise dos grupos demográficos que apóiam cada candidato. Essas pesquisas independentes possibilitam a repórteres e editores elaborar e divulgar avaliações honestas sobre a situação de uma campanha e dar aos eleitores uma idéia melhor do cenário político.

Tamanho e composição da amostra

Às vezes são realizadas pesquisas da noite para o dia após um evento importante como o discurso anual do presidente sobre o Estado da União ou um debate entre candidatos a um cargo político. Geralmente essas pesquisas são realizadas em uma noite para publicação no dia seguinte e representam uma amostra de apenas 500 pessoas adultas da nação.

Embora essas “pesquisas de uma noite” possam oferecer um quadro rápido da reação pública, especialistas acreditam que uma amostra de 500 cidadãos é pequena demais para avaliações consistentes em uma nação com mais de 300 milhões de pessoas. Muitos profissionais preferem entrevistar pelo menos mil eleitores para fornecer uma amostra representativa de toda a população. Mesmo as pesquisas mais completas dão margem à interpretação, e há inúmeros exemplos de candidatos que passaram de relativa obscuridade para grande popularidade, contrariando as tendências sugeridas pelas pesquisas iniciais.

As primeiras pesquisas podem apresentar uma riqueza de dados que vai além da indicação dos candidatos que estão à frente na disputa eleitoral. Elas podem revelar a preocupação com assuntos atuais e retratar a disposição geral do público. Como disse um analista, “as pesquisas simplesmente acrescentam ciência àquilo que os candidatos vêem e o povo sente — satisfação, ressentimento, raiva, frustração, confiança — ou até mesmo desespero”. Tanto resultados de pesquisas particulares quanto públicas, portanto, ajudam os candidatos a definir a mensagem mais comunicativa a ser enfatizada e ao mesmo tempo enfocar questões para setores do público.

Pesquisas de boca-de-urna

Pesquisas de boca-de-urna (pesquisas feitas por redes de televisão à medida que os eleitores deixam os locais de votação) estão presentes nas eleições dos EUA desde os anos 1970. Argumenta-se também que essas são as pesquisas mais controversas, porque dão às redes de TV meios de prever vitórias eleitorais baseadas em entrevistas com pessoas que acabaram de votar. As pesquisas de boca-de-urna ficaram especialmente malvistas nas eleições presidenciais dos EUA de 2000, quando foram usadas de maneira equivocada pelas redes de televisão para fazer não apenas uma, mas duas projeções incorretas sobre o vencedor escolhido pelos eleitores na Flórida. A pressão para anunciar a projeção primeiro superou a pressão para anunciar a projeção correta.

Entretanto, as pesquisas de boca-de-urna, quando utilizadas de forma apropriada, podem ser um instrumento fundamental para os pesquisadores, a imprensa e os acadêmicos. Acima e além de seu uso questionável na projeção antecipada dos vencedores no dia da eleição, elas fornecem a especialistas e cientistas políticos detalhes de como determinados grupos demográficos votaram e as razões dadas para seu voto.


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