INDICAÇÃO de candidatos À PRESIDÊNCIAO sistema de seleção dos candidatos dos partidos evoluiu ao longo da história dos EUA
|
||||
|---|---|---|---|---|
As regras dos partidos para indicação de candidatos à Presidência não estão previstas na Constituição dos EUA. Como observado, não havia partidos políticos quando a Constituição foi redigida e ratificada no final do século 18, e os fundadores da república não tinham interesse em proscrever procedimentos para essas entidades. A partir de 1796, membros do Congresso dos EUA que se identificavam com um dos partidos políticos da época começaram a se reunir informalmente para escolher os candidatos do partido à Presidência e à Vice-Presidência. Esse sistema de seleção de candidatos, conhecido como “King Caucus”, continuou por quase 30 anos. Cessou em 1824, vítima da descentralização do poder na política, que acompanhou a expansão dos Estados Unidos para o oeste. Por fim, as convenções nacionais para indicação de candidatos substituíram o King Caucus como forma de escolher os indicados dos partidos. Em 1831, o partido “nanico” Antimaçônico reuniu-se em uma taverna na cidade de Baltimore, Maryland, para escolher seus candidatos e redigir uma plataforma de atuação. No ano seguinte, os democratas reuniram-se na mesma taverna para escolher seus indicados. Desde então, os principais partidos e a maioria dos partidos menores realizam convenções nacionais com a participação de delegados estaduais para escolher seus candidatos à Presidência e à Vice-Presidência e firmar suas posições políticas. O advento da televisãoDurante todo o século 19 e parte do século 20, as convenções para indicação de candidatos presidenciais, embora freqüentadas pelos membros do partido, eram controladas pelos líderes partidários estaduais. Esses “chefes” políticos usaram sua influência para escolher a dedo seus delegados às convenções estaduais — e garantir que eles votassem “corretamente” na convenção nacional do partido. Adversários dos líderes do partido exigiram reformas para permitir que eleitores comuns selecionassem seus delegados à convenção. As eleições primárias foram criadas justamente para isso. Em 1916, mais de metade dos estados realizava eleições primárias presidenciais. O movimento, no entanto, não durou muito. Logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, os dirigentes partidários, que viam as primárias como uma ameaça ao seu poder, persuadiram os legislativos estaduais a aboli-las, justificando que eram eleições caras e que relativamente poucas pessoas participavam delas. Em 1936, apenas uma dezena de estados continuava a realizar eleições primárias presidenciais. Mas as pressões democratizantes ressurgiram após a Segunda Guerra Mundial. Pela primeira vez, a televisão proporcionou uma mídia pela qual as pessoas podiam agora ver, além de ouvir, as campanhas políticas em casa. Candidatos à Presidência plausíveis podiam usar a exposição na televisão para demonstrar seu apelo popular. As décadas que se seguiram trouxeram de volta reformas democratizantes para ampliar a participação nas convenções de indicação de candidatos dos partidos.
Como conseqüência, a maioria dos estados agora realiza eleições primárias. Dependendo das leis do estado, os eleitores das primárias podem votar para indicação de um candidato presidencial e uma chapa de delegados “comprometidos”, podem votar para o candidato presidencial com delegados a serem escolhidos depois, de forma a refletir o voto, ou votar indiretamente para um candidato em um caucus (assembléia de eleitores), escolhendo delegados à convenção “comprometidos” com um ou outro indicado. Sob o sistema de caucus, os membros do partido que moram em uma área geográfica relativamente pequena — uma zona eleitoral local — reúnem-se e votam para delegados que se comprometeram a apoiar candidatos específicos para presidente. Esses delegados, por sua vez, representam sua zona eleitoral em uma convenção do condado, que escolhe delegados para participar das convenções congressionais distritais e estaduais. Os delegados a essas convenções, no final, elegem os delegados que representarão o estado na convenção nacional. Embora esse processo se estenda por vários meses, os candidatos preferidos são determinados basicamente na primeira rodada de votação. O tamanho real de qualquer delegação estadual à convenção nacional do partido é calculado com base em uma fórmula estabelecida pelos partidos, que inclui considerações como população do estado, apoio anterior aos candidatos nacionais do partido e número de autoridades e líderes partidários eleitos e atuando no momento em cargos públicos daquele estado. A fórmula que os democratas usam para determinar o número de candidatos tem como resultado convenções nacionais que agregam o dobro dos delegados das convenções dos republicanos. Como resultado desses movimentos reformistas desde a II Guerra Mundial, duas tendências importantes se destacam. Primeiro, mais estados adiantaram suas primárias e caucuses presidenciais no calendário visando ao estágio inicial decisivo da temporada de indicações, tendência conhecida como “antecipação”. Um estado de primárias ou caucus antecipados permite que seus eleitores exerçam mais influência sobre a escolha final dos indicados. Além disso, a antecipação pode estimular os candidatos a abordar as necessidades e interesses do estado desde cedo, bem como forçá-los a se organizarem dentro do estado, gastando dinheiro com equipe, mídia e hotéis para tentar obter mais cedo uma vitória psicológica decisiva no processo de indicação do partido. Além disso, em algumas partes do país os estados cooperam uns com os outros para organizar “primárias regionais”, realizando suas primárias e caucuses na mesma data, de modo a maximizar a influência de uma região. Ambas as tendências forçam os candidatos a antecipar suas campanhas para criar uma base de apoio no número crescente de estados em que as disputas são realizadas mais cedo. Os candidatos também vêm dependendo cada vez mais da mídia de massa — rádio, televisão e internet — bem como do apoio de dirigentes partidários estaduais para ajudá-los a atingir os eleitores nos diversos estados que podem realizar suas primárias no mesmo dia. Declínio da convenção políticaUma conseqüência das mudanças no processo de indicação de candidatos à Presidência foi a perda de importância da convenção partidária nacional, em clima de tensão e televisionada, para escolha de candidatos. Atualmente, a indicação do candidato presidencial é de fato determinada pelos eleitores relativamente cedo no processo de eleições primárias. O candidato futuramente vencedor, por sua vez, pode até indicar sua escolha para candidato à Vice-Presidência antes da reunião da convenção. (Candidatos à Vice-Presidência não concorrem para esse cargo nas primárias de forma independente, mas são escolhidos pelo candidato presidencial vencedor no partido). Dessa forma, o processo de indicação à Presidência continua a evoluir. Nas últimas décadas, essa evolução aumentou a participação, melhorou a representação demográfica e fortaleceu os laços entre o membro comum do partido e os candidatos. O processo, da forma como está constituído atualmente, privilegia os candidatos mais conhecidos, que podem levantar mais recursos, que têm as organizações de campanha mais eficientes e que despertam mais entusiasmo entre os eleitores logo no início da temporada de eleições primárias presidenciais. A conexão à internetOs candidatos e seus simpatizantes foram rápidos na adoção da internet como ferramenta de campanha. Ela demonstrou ser uma forma eficaz e eficiente de angariar recursos de simpatizantes em potencial e de promover as políticas e a experiência do candidato. As organizações de campanha agora mantêm seus próprios blogs. Os blogueiros desses sites são membros das equipes de campanha pagos para escrever sobre as declarações e as atividades de seus candidatos. Por outro lado, milhares de blogueiros independentes redigem comentários em apoio a seus candidatos favoritos e participam de debates com outros blogueiros oponentes. A veiculação de vídeo em sites, como o YouTube, propiciou oportunidades e preparou armadilhas para as campanhas políticas. Os candidatos se aproveitaram da tecnologia para produzir vídeos, às vezes humorísticos, sobre si mesmos. Em outras ocasiões, candidatos foram surpreendidos em momento de descontração dizendo ou fazendo algo que não diriam ou fariam perante uma platéia em geral — e tiveram sua gafe mostrada inúmeras vezes na internet e na TV.
Este site oferece informações sobre a política atual e sobre a vida e a cultura dos Estados Unidos. É produzido pelo Bureau de Programas de Informações Internacionais do Departamento de Estado. Links para outros sites da Internet não devem ser tomados como endosso dos pontos de vistas neles contidos. |