O Papel do JornalistaTed Gest
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A maior parte das disputas legais nos Estados Unidos é resolvida sem a necessidade de julgamento, mas as que envolvem jurados podem estar entre as mais fascinantes e imprevisíveis. A tradição americana de julgamentos abertos permite ao público avaliar se o governo está protegendo os cidadãos ao formular acusações com provas suficientes contra os suspeitos de crimes e se não está acusando pessoas inocentes. A mídia jornalística funciona no julgamento como os olhos e os ouvidos do público. Inclusive nos lugares que permitem a transmissão dos julgamentos pela televisão, as notícias incluem informações importantes sobre os antecedentes do caso, as estratégias legais das duas partes, as possíveis testemunhas e outras provas. Em casos que chamam muito a atenção, o papel do jornalista começa bem antes da seleção do júri. Muitas reportagens terão sido publicadas ou transmitidas por rádio ou televisão, e os possíveis jurados serão indagados sobre se as viram. Os juízes que se adiantam à cobertura da mídia podem pedir aos jornalistas que não publiquem matérias sobre o caso antes do julgamento se contiverem informações que possam influenciar os jurados. A resposta dos jornalistas a esse tipo de pedido pode depender de como eles veem o caso. Alguns casos geram tanto interesse que um órgão de imprensa decide que deve publicar uma história sobre as expectativas de como o julgamento poderá evoluir . Ou os jornalistas podem entrar em acordo entre si e adiar a publicação das reportagens até a escolha do júri. É apenas nos poucos casos célebres que os repórteres de tribunais prestam atenção especial à seleção do júri. Em alguns casos, quando o promotor público pretende pedir a pena de morte, os observadores procuram descobrir quantos dos possíveis jurados fariam objeção às execuções em geral. Uma vez estabelecido o júri, um jornalista cobre o julgamento normalmente, como em qualquer outro caso, decidindo qual das provas vale a pena mencionar na história daquele dia. Os jurados em geral não são mencionados na cobertura diária. Em alguns lugares, os jurados podem fazer perguntas durante o julgamento. Os jornalistas tomam nota para ver se há alguma pista sobre a tendência dos jurados. Eles podem influenciar os jurados de maneiras inesperadas. John Painter Jr., que fazia a cobertura dos tribunais para o Oregonian, jornal diário de Portland, Oregon, percebeu que os jurados “observavam-me sub-repticiamente e tomavam notas quando eu o fazia”. Concluiu que os jurados achavam que ele sabia o que era importante e que poderiam dar mais ênfase aos depoimentos que ele registrava. Decidiu, então, não se sentar na linha de visão dos jurados para evitar influenciá-los. Visão dos jurados Os jurados são responsáveis pelo clímax na maioria dos julgamentos quando anunciam o veredicto, mas o resultado raramente revela os possíveis dramas envolvidos nas deliberações a portas fechadas. Alguns juízes, sabendo do grande interesse da imprensa, organizam entrevistas coletivas para que os jurados falem com os jornalistas após o julgamento. Os jornalistas, dessa forma, podem fazer perguntas sem ter que seguir os jurados nas suas casas e no trabalho, o que alguns jurados podem considerar um assédio. Outros tribunais tentam evitar o contato entre jornalistas e jurados. Alguns tribunais usam júris anônimos, o que significa que os jurados só são identificados por um número. Shawna Morrison, repórter de tribunal do jornal Roanoke Times na Virgínia, diz que os juízes da sua região proíbem mencionar os nomes dos jurados ou fotografá-los. Quando o julgamento termina, os jurados são escoltados até seus carros e ninguém pode sair da sala de audiência até que todos os jurados tenham saído. Em geral, os juízes dizem aos jurados que eles não precisam falar com ninguém sobre suas experiências, mas que têm o direito de falar. Muitos jornalistas conseguiram obter entrevistas com jurados sobre suas impressões em relação a um caso e por que se chegou a determinado veredicto. O jornalista como jurado De vez em quando um jornalista é escolhido para fazer parte de um júri e pode querer falar sobre sua experiência. Denis Collins, que foi repórter do Washington Post, serviu no júri de Washington, DC que em 2007 condenou Lewis “Scooter” Libby, ex-conselheiro do vice-presidente Dick Cheney, por perjúrio e obstrução da Justiça. Os demais jurados escolheram Collins como seu porta-voz; ele contou aos jornalistas que muitos deles sentiam simpatia por Libby e achavam que ele tinha sido o “bode expiatório” em um caso complicado envolvendo falhas na segurança. O fato de que o caso de Libby pudesse ser apresentado perante um júri e ser testemunhado por repórteres de jornais foi uma demonstração vívida de que até mesmo casos envolvendo questões de segurança nacional podem estar sujeitos ao olhar atento do público em uma sala de audiência americana. Alguns jurados trabalham com os jornalistas, escrevendo sobre suas experiências. Sete jurados do sensacional julgamento de Scott Peterson na Califórnia, condenado em 2004 por matar sua mulher grávida, Laci, colaboraram com os escritores para redigir um livro. Uma das revelações foi a de que alguns jurados "sofrem da síndrome de stress pós-traumático e revivem episódios do julgamento... alguns têm pesadelos, outros recebem ameaças de morte ou sofrem dor física". Fazer a cobertura de questões legais como jornalista não é visto como incompatível com a função de jurado. Esse redator, convocado para servir como jurado em Washington, DC, contou a um juiz e aos advogados adversários que havia escrito um livro sobre justiça criminal que poderia influenciar sua participação. Apesar disso, foi incluído no júri.
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |
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