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Lugares Especiais Unindo Todos os Americanos

Entrevista com Mary A. Bomar

National Parks

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
O Significado Espiritual e Cultural dos Parques Nacionais
A Própria História dos Estados Unidos
As Jóias da Coroa: Galeria de fotografias sobre os parques nacionais americanos
Cenário e Ciência nos Parques Nacionais dos EUA
Parques Podem Mudar uma Nação
Oh, Ranger: Fazer Algo de Duradouro
Parques dos EUA: Cronologia
Lugares Especiais Unindo Todos os Americanos
Quando um Parque Não É um Parque
Guardas-Florestais e Guias Suíços
Oh, Ranger: O Apelo das Rochas
Clima de Mudança
Expulsando os Invasores
Oh, Ranger: O Local de Trabalho Mais Lindo do Mundo
Guardiões dos Monumentos Antigos
Patrimônio de Toda a Humanidade
Oh, Ranger: Nos Degraus onde Esteve Martin Luther King
Recursos Adicionais
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Mary A. Bomar has served as director of the National Park Service since 2006, leading 20,000 employees and 140,000 volunteers in the management of almost 400 park sites.
Mary A. Bomar trabalha como diretora do Serviço Nacional de Parques desde 2006, chefiando 20 mil funcionários e 140 mil voluntários na administração de quase 400 parques (Foto NPS)

Mary A. Bomar é a 17ª pessoa a responder pela direção do Serviço Nacional de Parques, tendo sido nomeada como diretora em 2006, após trabalhar 16 anos em muitos parques diferentes. Em entrevista por escrito à eJournal USA, Mary Bomar discorreu sobre as razões de sua dedicação ao sistema de parques dos Estados Unidos e sobre suas esperanças para o encaminhamento desse sistema no século 21.

Pergunta: De que forma o Serviço Nacional de Parques é emblemático de toda a história, da colonização e da expansão dos Estados Unidos?

Bomar: O Serviço Nacional de Parques é, sob todos os aspectos, emblemático de todo o escopo da história americana. Nós administramos áreas que preservam a história e a experiência cultural americana desde os primeiros assentamentos permanentes em Jamestown, na Virgínia, até a luta pela independência dos Estados Unidos, desde a expansão dessa nação e as guerras realizadas até a situação dos índios americanos e das minorias. Nós administramos áreas que destacam cada aspecto de nosso crescimento como nação, desde as coisas boas que conseguimos até a nossa "roupa suja".

De todos os cantos do país e do mundo, chegam pessoas para visitar os lugares que refletem o espírito americano e ouvir certamente histórias de heroísmo e sacrifício, mas também histórias mais tristes que fazem parte do que somos.

Costumo dizer que "há lugares especiais que unem todos nós, americanos e os parques nacionais são esses lugares".

P: Como sua vida acrescenta outro capítulo a essa história?

Bomar: Tenho alegria e orgulho em dizer que sou "americana por opção". Fiz o juramento de fidelidade à  Constituição dos Estados Unidos em 28 de outubro de 1977, em Spokane, Washington; foi um momento de muito orgulho em minha vida e na vida da minha família.

Minha história é, ao mesmo tempo, uma história americana e de imigração. Minha família possuía uma grande fábrica de meias em Leicester, na Inglaterra. Tive a sorte de ser criada por pais maravilhosos, ao lado de quatro irmãos e uma irmã. Meu amor pela preservação da natureza surgiu da vida em lindas cidadezinhas nos campos da Inglaterra. Minha família sentia verdadeiro amor pela preservação histórica.

Também vivi nos Estados Unidos durante algum tempo na infância. Visitei o Grande Canyon, a Floresta Petrificada, a Ponte Golden Gate, o Monte Rushmore e muitos outros parques nacionais. Essas viagens me trouxeram conhecimentos que nenhuma escola me daria ver e vivenciar a cultura americana em todos os estados. Essas experiências maravilhosas em minha infância me inculcaram uma grande paixão pelas paisagens, pelas culturas e pelos habitantes dos Estados Unidos. Vem daí o motivo pelo qual creio ser o Serviço Nacional de Parques a maior universidade do mundo!

Illuminated chairs represent victims of the 1995 bombing of a federal building in Oklahoma City, Oklahoma. Bomar was superintendent of the site when it opened in 2000. The site is an affiliate of the National Park Service, but is owned and operated by the Oklahoma City National Memorial Foundation.Cadeiras iluminadas representam as vítimas do atentado à bomba de um edifício federal na Cidade de Oklahoma, Oklahoma. Bomar era superintendente do local quando foi inaugurado em 2000. O local é afiliado ao Serviço Nacional de Parques, mas pertence à Fundação do Memorial Nacional da Cidade de Oklahoma e é operado por ela (Elise Amendola/© AP Images)

Entrei para o Serviço Nacional de Parques em 1990 e trabalhei em inúmeros parques e regiões diferentes, aumentando cada vez mais minha apreciação e compreensão do sistema de parques como um todo, em sua ampla diversidade e extensão. Fui nomeada para o cargo de diretor em 2006, após trabalhar como diretora da região nordeste, que inclui o Salão da Independência, na Filadélfia, onde os pais fundadores da pátria americana dedicaram sua "vida, fortuna e honra sagrada" à causa da liberdade.

Mas esta entrevista não é sobre mim. O que importa é a relevância contínua dos parques nacionais dos Estados Unidos e a preservação dos recursos naturais e culturais do país para nossos netos. Meu ideal é estabelecer relações de cada americano com os parques e garantir a sustentabilidade financeira e a proteção aos recursos dos parques.

Qualquer coisa que faça será com a ajuda de mais de 20 mil homens e mulheres que todos os dias trabalham com afinco para esta agência são eles que terão influência sobre as crianças do país e poderão incentivar seu interesse pela natureza, pela ciência e pela história. Só espero dar-lhes as ferramentas necessárias para realizarem suas tarefas e serem seus porta-vozes à nação.

P: Em seu ponto de vista, quais são os maiores desafios enfrentados pelo Serviço de Parques atualmente?

Bomar: Há vários desafios enfrentados pelo Serviço Nacional de Parques neste início do século 21. Vou enumerá-los:

  • Reenergizar o apoio do povo americano aos parques nacionais e renovar seu orgulho pela "melhor idéia já tida nos Estados Unidos";

  • Melhorar os recursos do sistema para que o século 21 atenda as necessidades de uma população em mudança, inclusive o recrutamento, a retenção, a capacitação e a preparação  de uma nova geração para liderar esse serviço;

  • Atingir nosso imenso público e mudar nossos métodos para nos mantermos em consonância com a tecnologia atual e as rápidas mudanças demográficas de nosso país. Isso é de extrema importância para mim.

Nossos superintendentes e funcionários estão sempre trabalhando para proporcionar ótimas experiências em nossos parques. Para acompanhar os gostos, a tecnologia e as mudanças demográficas do século 21, realizamos exposições táteis e em muitos idiomas, bem como novas abordagens de acessibilidade, e acompanhamos a tecnologia moderna com informações na internet, podcasts e visitas guiadas por celular, para citar apenas alguns recursos.

Precisamos fazer de nossos parques lugares mais vibrantes, atraentes e cativantes melhorando sua infra-estrutura e, para isso, precisamos recrutar, capacitar e desenvolver uma nova geração de líderes do século 21.

P: Os parques são freqüentemente citados como uma das mais queridas instituições nacionais, mas há certamente algumas situações em que surgem divergências sobre como deve ser gerenciado um determinado local e como deve ser apresentada uma narrativa histórica. Como lidar com essas situações?

Bomar: Naturalmente, há momentos em que surgem diferenças acentuadas na opinião pública, e precisamos reconstruir os relacionamentos com vizinhos de parques, parceiros e a comunidade turística. Se escutarmos, aprendermos e tomarmos medidas para incluir o público e os parceiros turísticos nas questões dos parques, podemos resolver essas diferenças. De modo geral, temos tido bastante êxito em criar relacionamentos relevantes com esses parceiros da comunidade e em superar interpretações errôneas ou desentendimentos. Afinal, todos nós queremos a mesma coisa.

A ranger at the Harpers Ferry National Historical Park in West Virginia congratulates a newly inducted Junior Ranger. This youngster joins the Park Service mission to preserve and protect the history of a 19th-century town that played a key role in the U.S Civil War.
Um novo guarda-florestal júnior é cumprimentado por guarda-florestal no Parque Histórico Nacional Harpers Ferry, na Virgínia Ocidental (Harpers Ferry NHP/NPS)

Durante meus 18 anos de trabalho no Serviço Nacional de Parques, sou conhecida por promover a união entre as pessoas. Em 2000, fui superintendente do Memorial Nacional da Cidade de Oklahoma, o local do atentado à bomba do Edifício Federal Murrah de 1995 [que vitimou 168 pessoas]. Havia suscetibilidades na comunidade quando nos preparávamos para abri-lo, como seria de se esperar após uma tragédia de tal magnitude. Trabalhei com as famílias, sobreviventes, equipe de resgate e governos estadual e local para assegurar que todas as vozes seriam ouvidas. É importante na verdade, essencial ouvir todos os lados, inclusive aqueles que chamamos de "vozes discordantes".

P: Parte da obrigação do Serviço de Parques é preservar os parques para as futuras gerações. Você poderia explicar alguns dos programas educacionais do serviço que atuam no sentido de garantir que os jovens se tornem adultos conscientes do significado de conservar locais naturais, históricos e culturais?

Bomar: Os programas educacionais do Serviço Nacional de Parques são destinados a enriquecer vidas e melhorar o aprendizado, a cultivar o apreço das pessoas pelos parques e outros lugares especiais e, portanto, ajudar a preservar a herança dos Estados Unidos. O programa Parques como Salas de Aula foi criado para incentivar uma iniciativa educacional mais ampla por meio de uma variedade de atividades para as pessoas se informarem melhor sobre processos científicos, históricos e culturais, bem como pesquisar sobre esses aspectos. Em seguida, poderão aplicar esse conhecimento relativo à formulação de sua própria tomada de decisão pessoal e suas responsabilidades éticas. Queremos ajudar as pessoas a desenvolver um sentimento de responsabilidade vitalícia com relação aos parques mediante programas que realmente as envolvam em atividades como exposições, filmes, eventos interpretativos e outros.

Nosso programa "no parque" de estréia , para as crianças e suas famílias, é o Programa Guardas-Florestais Juniores, que incentiva as crianças a "Explorar. Aprender. Proteger". Quando os guardas-florestais juniores e suas famílias chegam a um parque, eles usam cadernos de atividades projetados especialmente para explorarem o lugar. Os cadernos introduzem a história do parque e indicam partes do local que passariam despercebidos sem esse recurso. Enquanto exploram o parque, aprendem mais sobre a história do país, sua própria herança cultural e o mundo natural que compartilhamos. E há a parte de "proteção" da atividade. Os guardas-florestais juniores, quase 500 mil a cada ano, descobrem coisas que podem fazer no parque e em casa para ajudar a assegurar que existam parques para se visitar no futuro.

A maioria dos guardas-florestais juniores tem entre 7 e 12 anos de idade, e esperamos que achem ser esse um modo divertido de fazer uma nova espécie de conexão com os parques nacionais favoritos, lugares que moldaram a história do país, lugares de beleza natural e maravilhas científicas. E, é claro, o que estamos realmente tentando é envolver crianças e suas famílias e esperar que passem a dar importância aos parques nacionais e a cuidar deles.

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