Sobre Esta EdiçãoDiana Abu-Jaber
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Durante 500 anos, imigrantes de diversas culturas buscaram liberdade e oportunidades no que hoje é os Estados Unidos da América. Os escritores entre eles registraram suas experiências em cartas, jornais, revistas, poemas e livros, desde os primórdios da colonização até os dias de hoje. “Somos uma nação de muitas vozes”, escreve Marie Arana em seu ensaio, e esta eJournal USA sobre a produção literária multicultural tem esse objetivo: mostrar como vozes de várias origens étnicas enriqueceram a sociedade americana por meio do compartilhamento de uma arte e cultura que convida ao entendimento. Os recém-chegados podem escrever sobre solidão, como fez o imigrante chinês anônimo na “terra da Bandeira Florida” ao rabiscar um poema melancólico em uma parede do quartel da Estação de Imigração da Ilha Angel, perto de São Francisco, no início do século 20: O vento oeste amarrota minha fina roupa de gaze. Na colina tem um prédio alto com uma sala com assoalho de madeira. Queria poder viajar numa nuvem pra bem longe daqui, me juntar à minha mulher e ao meu filho. Os desafios são inevitáveis à medida que os imigrantes se ajustam à vida em um novo país, com uma nova língua, e à medida que os novos vizinhos passam a conhecê-los melhor. Os artigos desta revista examinam o processo de assimilação mútua e as interações que ampliam as perspectivas, independentemente da herança étnica. Ha Jin, Immaculée Ilibargiza e Lara Vapnyar são imigrantes relativamente novos que escolhem o inglês — sua segunda língua — para escrever sobre os países de onde vieram e o país onde vivem hoje. Ofelia Zepeda e Susan Power, descendentes de índios americanos, recorrem às antigas tradições de suas tribos. Gerald Early — escrevendo sobre “O Que É Literatura Afro-Americana?” — explora centenas de anos de criatividade que evoluíram da escravidão e do movimento dos direitos civis à atual ficção popular hip-hop. Early argumenta que “a literatura urbana democratizou e ampliou o alcance e o conteúdo da literatura afro-americana”. Os escritores afro-americanos Tayari Jones e Randall Kenan recorrem às suas firmes raízes no Sul dos EUA para dar um sabor regional especial ao seu trabalho. Akhil Sharma escreve sobre como sua vida bicultural e Ernest Hemingway ajudaram a moldar sua produção literária. “Devido à curiosidade que essa onda de imigrantes asiáticos gerou na sociedade americana em relação ao que realmente é viver em uma família asiática, tenho tido sorte de ter meus livros lidos”, ele escreve. Persis Karim, meio iraniana, e Diana Abu-Jaber, meio árabe, relembram como se reconciliaram com duas culturas em suas próprias famílias, enquanto Jennifer 8. Lee descreve a assimilação americana de culturas como uma história embrulhada em um biscoito da sorte. Esses e outros colaboradores escrevem sobre como pertencem aos Estados Unidos sem perder a singularidade de suas origens. Mais do que nunca, os americanos querem participar da experiência multicultural, seja pela apreciação da música, da arte ou experimentando comida étnica — e, ao longo do caminho, vão fazendo amizades com donos de restaurantes árabes, coreanos ou guatemaltecos. Quase sempre eles simplesmente mergulham em culturas vibrantes retratadas entre as capas de um livro. Os editores |
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