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Influências Poéticas do Sul da Ásia

Agha Shahid Ali

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
Somos uma Nação de Muitas Vozes
Literatura na Encruzilhada
Cão Fantasma: Ou como Escrevi Meu Primeiro Romance
De Ruanda para os Estados Unidos:A Escrita como Transformação
O Que É Literatura Afro-Americana?
Escrever para Unir Culturas Diferentes: Uma Perspectiva do Indígena Americano
Simples Memórias como Poemas
Baixando as Nuvens
O Índio Mais Forte do Mundo
Ensinando a Arte de Ser Humano: Floresce a Antiga Tradição Indígena de Contar Histórias
Trovador dos Blackfeet Canta as Tradições
O Biscoito da Sorte Americano
Descobrindo Aliados nos Livros
A Língua da Traição
Novos Contos do Imigrante: Junot Díaz e a Ficção Afro-Latina
Rádio Cidade Perdida
Capturando as Nuvens
Escrevendo a partir de uma Perspectiva Étnica Complexa
Experiência de um Escritor Indiano
As Influências sobre o Meu Trabalho
As Gazes de Daca
Sessenta e Nove Centavos
Minhas Paixões Literárias
Recursos Adicionais
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Agha Shahid Ali
O poeta Agha Shahid Ali (Cortesia: Faculdade Middlebury)

Agha Shahid Ali (1949-2001), poeta indiano-americano da Caxemira, cresceu rodeado por poesia inglesa, persa e urdu. Ele viveu nos Estados Unidos quando criança, enquanto seus pais faziam o doutorado na Universidade Ball State, em Indiana. Voltou aos Estados Unidos como adulto, onde estudou, lecionou e escreveu grande parte da sua poesia. Lecionou em várias universidades, entre as quais a Universidade de Utah, a Faculdade Warren Wilson e a Universidade de Massachusetts-Amherst. Introduziu a forma poética de origem urdu, o gazel, no léxico poético em inglês e editou um livro de gazéis em inglês, Ravishing DisUnities [DesUniões Encantadoras: Autênticos Gazéis em Inglês]. Mas é mais conhecido por sua poesia elegante e comovente, exemplificada nas coletâneas A Nostalgist’s Map of America [Mapa dos Estados Unidos de um Nostálgico], The Country Without a Post Office [O País Sem Correios] e Rooms Are Never Finished [Lugares Não Acabam Nunca]. Ali era amado por seus alunos, o que levou a Editora da Universidade de Utah a criar o Prêmio de Poesia Agha Shahid Ali em sua memória.

As Gazes de Daca

. . . durante o ano inteiro ele procurou reunir as mais requintadas gazes de Daca.
- Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray

Aquelas transparentes gazes de Daca
conhecidas como ar tecido, água
corrente, orvalho noturno:
agora uma arte extinta, extinta há
mais de cem anos. “Hoje
em dia ninguém sabe”, disse minha avó,
“o que era usar
ou tocar aquele tecido”. Ela usou-o
uma vez, um sari relíquia de família do
dote de sua mãe, mostrava-se
genuíno quando era puxado, todas
as seis jardas, pela argola.
Anos depois, quando se rasgou,
muitos lenços bordados
de caxemira com fios de ouro
foram distribuídos entre
as sobrinhas e noras.
Esses também agora perdidos.
Na história nós aprendemos: as mãos
dos tecelões foram amputadas,
os teares de Bengala silenciados,
e o algodão embarcado cru
pelos britânicos para a Inglaterra.
História de pouca valia para ela,
minha avó comenta apenas
como os muçulmanos de hoje
parecem tão sem refinamento e que só
no outono é preciso acordar
para orar ao amanhecer, pode se
sentir aquela mesma textura de novo.
Uma manhã, diz ela, o ar
estava engomado de orvalho: ela puxou-o
distraidamente por sua argola.


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Agha Shahid Ali, “The Dacca Gauzes”, extraído de The Half-Inch Himalayas [Os Himalaias de Meia Polegada]
© 1987 Agha Shahid Ali, reproduzido com permissão da Editora da Universidade de Wesleyan.