As Influências sobre o Meu TrabalhoTamim Ansary
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Tamim Ansary, autor de West of Cabul, East of New York [Oeste de Cabul, Leste de Nova York], dirige o Workshop de Escritores de São Francisco, o mais antigo e contínuo workshop gratuito de escritores dos Estados Unidos. Ele escreve e profere palestras sobre o Afeganistão, história islâmica, democracia e processo de redação criativa, bem como sobre outros assuntos que lhe chamem a atenção. Quando relembro as “influências” sobre a minha produção literária, descubro que minhas fontes primárias foram orais. Nasci em uma tradição familiar de poesia, contadores de histórias, misticismo e filosofia que se iniciou mil anos atrás com Khwadja Abdullah Ansary de Herat; e, embora quando criança nunca tivesse lido o trabalho dos meus antepassados, ouvi suas palavras e o espírito de seu trabalho ressoando nas conversas de meu pai e seus irmãos, primos e amigos, que se reuniam todos os dias para citar versos, cunhar frases e discutir questões profundas tomando intermináveis xícaras de chá; e eu, encolhido no chão perto de meu pai, ouvia sem ser notado. E então havia os virtuosos contadores de histórias da família com os quais cresci, encabeçados pela minha avó K’kok, que nunca passou um minuto na escola, não sabia escrever seu próprio nome e mesmo assim descortinava universos inteiros para nós, universos habitados por gigantes e feiticeiros, vigaristas e heróis que vagavam por paisagens surrealistas, onde olhos podiam florescer em árvores e cavalos levantavam voo para depois explodir em bolas de fogo: ela vinha até nós como uma voz no escuro, e nós, crianças, amontoadas como cachorrinhos, ouvíamos com a respiração suspensa. Eu jamais cansava de ouvir essas histórias — literalmente: os adultos eram muito poucos e estavam muito ocupados para saciar a minha sede, então tive de começar a inventar as minhas próprias histórias. Naquela ocasião eu já tinha aprendido a ler, ferramenta que me ajudou a abrir outro tesouro, fechado em um conjunto de livros de 20 volumes intitulado O Livro do Conhecimento: era uma enciclopédia infantil ilustrada. Todos os dias, quando os mais velhos saiam para ir à escola ou para trabalhar, eu me debruçava sobre esses volumes e descobria do que as estrelas são feitas, quem construiu as pirâmides e como diferenciar elefantes indianos dos africanos, coisas que eu mal podia esperar para contar aos outros quando voltavam para casa. Acredito que tudo que escrevo atualmente remonta a essas primeiras fontes: ainda me debruço em livros de conhecimento, ainda ansioso para contar às pessoas o que aprendi, ainda tentando reconstituir aquela voz vinda do escuro com relatos de jornadas épicas e imagens de cavalos resplandecentes; e estou absorvido, ainda, naquelas conversas das quais meu pai e seus companheiros uma vez fizeram parte, só que agora eu fui promovido a um lugar à mesa, e a mesa se ampliou por todo o globo, e as vozes chegam através de muitos meios, todos nós apenas tentando decifrar os segredos deste mundo e contar uns aos outros o que descobrimos sobre os mistérios. |
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