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Descobrindo Aliados nos Livros

 

Bich Minh Nguyen

 

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
Somos uma Nação de Muitas Vozes
Literatura na Encruzilhada
Cão Fantasma: Ou como Escrevi Meu Primeiro Romance
De Ruanda para os Estados Unidos: A Escrita como Transformação
O Que É Literatura Afro-Americana?
Escrever para Unir Culturas Diferentes: Uma Perspectiva do Indígena Americano
Simples Memórias como Poemas
Baixando as Nuvens
O Índio Mais Forte do Mundo
Ensinando a Arte de Ser Humano: Floresce a Antiga Tradição Indígena de Contar Histórias
Trovador dos Blackfeet Canta as Tradições
O Biscoito da Sorte Americano
Descobrindo Aliados nos Livros
A Língua da Traição
Novos Contos do Imigrante: Junot Díaz e a Ficção Afro-Latina
Rádio Cidade Perdida
Capturando as Nuvens
Escrevendo a partir de uma Perspectiva Étnica Complexa
Experiência de um Escritor Indiano
As Influências sobre o Meu Trabalho
As Gazes de Daca
Sessenta e Nove Centavos
Minhas Paixões Literárias
Recursos Adicionais
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young man looks at books in the library stacks.
A autora Bich Minh Nguyen (© Porter Shreve)

Bich Minh Nguyen tinha meses quando sua família fugiu do Vietnã, logo antes da queda de Saigon em 1975. Seu primeiro livro, Stealing Buddha’s Dinner [Roubando o Jantar de Buda], sobre como foi crescer em uma família vietnamita no Meio Oeste americano, ganhou o Prêmio PEN/Jerard em 2005. Seu livro Short Girls [Garotas Pequenas] será publicado em 2009. Nguyen leciona não ficção criativa, ficção e literatura ásio-americana na Universidade de Purdue, em West Lafayette, Indiana.

Ao crescer como uma vietnamita-americana em uma cidade pequena com predominância de brancos em Michigan, descobri nos livros meus amigos mais íntimos e meus aliados. Eles me ajudavam a escapar do esforço diário de tentar conciliar uma cultura em casa com outra fora de casa. Eles também me davam ensinamentos e indicações: cedo aprendi que para viver e prosperar neste país eu precisava aprender o máximo possível da língua. Então lia tudo o que achava pela frente: revistas, o verso das caixas de cereal, manuais de instrução e, acima de tudo, livros da biblioteca. Sendo uma criança com uma mente razoavelmente literal, decidi que ler literatura inglesa me ensinaria mais sobre a língua inglesa. Jane Austen, Charles Dickens e as irmãs Brontë estavam entre os primeiros escritores “de gente grande” que li e pelos quais me apaixonei. O modo como usavam as personagens, o enredo, os diálogos, as imagens e a estrutura das frases permanece comigo até hoje e influencia a maneira como eu moldo esses elementos na ficção e na não ficção. Eles também fizeram com que eu lesse e me apaixonasse pelos “clássicos” — tudo, das tragédias gregas a Edith Wharton e William Faulkner.

Foi apenas quando entrei na faculdade e comecei a fazer uma ampla variedade de cursos de literatura que dei conta de quantos pontos de vista existem — e que talvez fosse até possível escrever sobre minhas próprias experiências como vietnamita-americana. Um livro que mudou meu mundo foi The Woman Warrior [A Mulher Guerreira], de Maxine Hong Kingston, com o subtítulo: “Memoirs of a Girlhood Among Ghosts” [Memórias de uma Meninice entre Fantasmas] Uma das razões de os escritores lerem constantemente é para obter possibilidades a partir de outros textos, aprender com eles o que a língua e as ideias podem fazer. The Woman Warrior abriu muitas possibilidades para mim; me deu um insight incrível sobre questões de identidade e raça e me mostrou que eu poderia escrever com minha própria voz. Após Kingston, comecei a ler o que parecia ser para mim um mundo novo e em expansão de literatura feita por ásio-americanos e escritores imigrantes, incluindo Gish Jen, Chang-rae Lee, Jessica Hagedorn, Hisaye Yamamoto, Bharati Mukherjee, Sandra Cisneros, Edwidge Danticat, Jhumpa Lahiri e Junot Díaz. As obras desses escritores, junto com os clássicos, continuam a ser inspirações frescas para mim e me fazem lembrar que a literatura pode iluminar as conexões entre o passado e o presente e liga culturas para um entendimento mais complexo das experiências humanas e literárias.