Poucas Pessoas Fazendo Acontecer
Não existe uma fórmula única para implementar mudanças sociais significativas em um mundo com tanta complexidade e diversidade.
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Katherine Chon e Derek Ellerman: Combate ao Tráfico Humano O que começou com uma conversa ao jantar entre estudantes em 2001 na Universidade de Brown, em Providence, Rhode Island, tornou-se hoje uma das maiores organizações dos Estados Unidos e do Japão para o combate ao tráfico humano. Katherine Chon estava discutindo a abolição histórica da escravidão nos Estados Unidos com seu colega de classe Derek Ellerman quando a conversa enveredou para a escravidão dos tempos modernos. Logo depois, o jornal local publicou uma notícia sobre seis mulheres sul-coreanas que haviam sido forçadas a trabalhar em um bordel em Providence, e Katherine teve um estalo. “Atingiu-me em cheio quando li que elas tinham aproximadamente a minha idade e eram do meu país de origem”, disse Katherine em artigo publicado na revista Women’s Health em 2007. Graças a isso, Katherine Chon e Derek Ellerman fundaram o Projeto Polaris, que recebeu o nome da Estrela Polar, pois ela guiava escravos do Sul dos Estados Unidos em direção ao Norte, em busca da liberdade, ao longo da chamada Underground Railroad (Ferrovia Clandestina), nos anos anteriores à Guerra Civil Americana (1861-1865). Os dois elaboraram um plano de negócios para um site que ofereceria ajuda imediata e prática a vítimas do tráfico humano e apresentaram a ideia no concurso de empreendedorismo anual da Universidade de Brown. Apesar de seu status sem fins lucrativos, o projeto ganhou o segundo prêmio, no valor de US$ 12.500. Katherine e Ellerman mudaram-se para Washington, DC, em 2003 para montar um escritório. O desafio a enfrentar é imenso. “O movimento antitráfico é recente e está enfrentando organizações criminosas escoradas em alguns dos males mais incuráveis da sociedade”, escreveu Ellerman.
As Nações Unidas estimam que 12,3 milhões de pessoas estão sujeitas a trabalho forçado ou escravo, trabalho escravo infantil e servidão sexual em qualquer momento. Outros cálculos apresentam uma variação ampla de 4 milhões a 27 milhões. O Projeto Polaris ataca o problema em muitas frentes. Ele realiza atendimento direto e identificação da vítima, inclusive um serviço de disque-denúncia multilíngue para situações de crise e oferece serviços sociais e moradia provisória às vitimas. O Projeto Polaris opera o Centro Nacional de Recursos contra o Tráfico Humano, que serve como central nacional do disque-denúncia sobre o tráfico humano nos Estados Unidos. A organização também defende leis de combate ao tráfico mais severas em âmbito estadual e federal e envolve os membros da comunidade em atividades de base locais e nacionais. O Polaris possui uma equipe profissional de mais de 30 membros, com escritórios em Washington; Newark, em Nova Jersey; Dever, no Colorado; e Tóquio. Embora haja inúmeras organizações antitráfico ativas, o Polaris é um dos poucos projetos que trabalha para atacar a indústria criminosa diretamente por meio do endurecimento na aplicação da lei e não somente para cuidar das vítimas. Como os criminosos muitas vezes consideram o tráfico como uma atividade de baixo risco e alta lucratividade, de acordo com Ellerman, “uma estratégia concentrada que introduz obstáculos ao lucro, combinada com mais processos e condenações, é a abordagem mais eficiente para minar o setor”. Ellerman também trabalha com questões relativas ao tráfico humano com a Ashoka, associação dedicada ao empreendedorismo social. No próximo ano, o Polaris planeja reforçar seu programa de política nacional, com a inclusão de um modelo de legislação de combate ao tráfico para os estados. Katherine e Ellerman também esperam incrementar o disque-denúncia nacional do Polaris, que triplicou em volume para 6 mil chamadas no ano passado e identificou 2.300 possíveis vítimas do tráfico. “O centro nos permite ter olhos e ouvidos no local, na comunidade”, declara Katherine. “As chamadas nos ajudam a identificar mais vítimas, encaminhá-las ao atendimento e instaurar processos contra traficantes.” Ela cita o exemplo de uma professora que, após receber treinamento para localizar vítimas de tráfico, ligou para falar sobre duas garotas latino-americanas que faltaram a um programa extracurricular. As meninas foram encontradas mais tarde e foi instaurado um processo contra os traficantes. Katherine também espera formar parcerias regionais mais amplas com organizações em outros países. “Queremos adotar medidas severas contra mercados bem específicos e determinados tipos de redes criminosas — casas de massagem asiáticas ou o tráfico de mulheres e crianças latino-americanas — cada um deles com sua própria dinâmica de mercado”, diz ela. Ellerman e Katherine acreditam tanto em sua causa quanto em sua capacidade de provocar mudanças significativas. “Acredito que as pessoas podem fazer a diferença”, declarou Katherine em entrevista a uma revista. “Vá atrás das coisas pelas quais é apaixonado, dedique-se a elas e não tenha medo do desafio.” “A boa notícia é que essa luta pode ser ganha”, Ellerman escreveu. “E organizações e líderes bem preparados, visionários, embora pragmáticos, encontram-se no cerne dessa iniciativa.”
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |
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