Poucas Pessoas Fazendo Acontecer
Não existe uma fórmula única para implementar mudanças sociais significativas em um mundo com tanta complexidade e diversidade.
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Wangari Maathai: Árvores da Paz Antes de a queniana Wangari Maathai lançar seu Movimento Cinturão Verde para o plantio de árvores e a proteção da biodiversidade em sua comunidade – tornando-se a primeira africana a ganhar o Prêmio Nobel da Paz – poucas pessoas equacionaram a degradação ambiental com questões de direitos humanos e democracia. Isso não acontece mais. Ao anunciar o prêmio em 2004, o Comitê Nobel Norueguês disse: “A paz na Terra depende da nossa capacidade de proteger nosso ambiente social.” Em toda a sua carreira, Wangari demonstrou que o movimento de proteção à biodiversidade e garantia do desenvolvimento sustentável – no Quênia e no mundo todo – está inextricavelmente ligado ao avanço da democracia, aos direitos humanos e à diminuição da pobreza. Ela demonstrou como pequenas comunidades e pessoas pobres podem realizar mudanças significativas em suas vidas através de meios pacíficos e não violentos.
“Pelo Movimento Cinturão Verde, milhares de cidadãos comuns foram mobilizados e capacitados para agir e realizar mudanças”, disse Wangari em seu discurso ao receber o Nobel em dezembro de 2004. “Eles aprenderam a superar o medo e a sensação de desamparo e agiram em defesa dos direitos democráticos.” Wangari não necessariamente via essas conexões quando iniciou seu trabalho. No começo, plantar árvores era simplesmente uma forma direta de atender às necessidades das mulheres da zona rural – as cuidadoras principais de suas famílias – para obter lenha para o fogo, renda extra, água potável, prevenir a erosão e conseguir melhores colheitas. Mas havia outro resultado, igualmente importante e de longo prazo, segundo Wangari. Essas mulheres, diz ela, “são geralmente as primeiras a tomar consciência dos danos ambientais quando os recursos se tornam escassos e incapazes de sustentar suas famílias”. Em suas memórias, Unbowed [Incurvável], Wangari relembra um cenário de infância exuberante e fértil. Ela escreve: “As estações eram tão regulares que quase se podia predizer que as chuvas longas, de monções começariam a cair em meados de março.” Ao longo das décadas, no entanto, ela testemunhou a mudança das estações, que se tornaram imprevisíveis, e a terra sendo devastada pelo crescimento da população e pela exploração negligente de governos frequentemente corruptos e indiferentes às necessidades tanto dos pobres quanto da natureza. Mais tarde, após mais de 40 milhões de árvores plantadas, incluindo a criação de uma Rede de Cinturão Verde Pan-Africana, Wangari e seu movimento também aprenderam como as preocupações ambientais estão ligadas a questões mais amplas de boa governança e proteção dos direitos humanos. Wangari, que obteve diplomas de faculdades nos Estados Unidos e um doutorado da Universidade de Nairóbi, foi detida, presa e espancada quando sua campanha de conscientização desafiou a corrupção endêmica no governo – em especial os planos de construção de uma torre de escritórios no meio do Parque Uhuru, em Nairóbi. Mas ela venceu. Wangari foi eleita para o Parlamento do Quênia em 2002 e agora atua como ministra adjunta para Meio Ambiente, Recursos Naturais e Vida Selvagem. Em seu discurso ao receber o prêmio Nobel, Wangari salientou que, embora o Movimento Cinturão Verde no início não tratasse de questões políticas, “logo se tornou claro que a governança responsável do meio ambiente era impossível sem o espaço democrático. Sendo assim, a árvore tornou-se o símbolo da luta democrática no Quênia. (...) Com o passar do tempo, a árvore passou a ser também o símbolo da paz e da resolução de conflitos.” Shirin Ebadi: Crença na Liberdade >>>> |
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