Poucas Pessoas Fazendo Acontecer
Não existe uma fórmula única para implementar mudanças sociais significativas em um mundo com tanta complexidade e diversidade.
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Jody Williams: Minas Terrestres e Redes Duas perguntas continuam a ser feitas sobre Jody Williams, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1997 junto com sua organização, a Campanha Internacional de Proibição de Minas Terrestres (ICBL). Seria o tratado internacional que proscreve minas terrestres antipessoais a realização mais duradoura de Jody Williams? Ou seria o modelo para uma rede global de cidadãos dedicados que ela ajudou a implantar — rede que deu poder a uma nova geração de organizações comprometidas com as mudanças sociais não violentas? Talvez não haja uma resposta clara porque essas conquistas estão completamente interligadas. Contudo, o que é claro é que Jody Williams e a ICBL lideraram uma das iniciativas de paz de maior sucesso internacional nos dias de hoje, e o fizeram em um período de tempo inacreditavelmente curto. O poder de redes rápidas e flexíveis é um truísmo na atual era da internet em banda larga. Jody e a ICBL estavam entre os primeiros a demonstrar como essas redes globais dispersas poderiam ser eficazes. Por volta dos anos 1980, grupos que trabalhavam com ajuda humanitária, desenvolvimento e assistência médica começaram a reconhecer que amplas faixas de território — dos Bálcãs e do Oriente Médio à África e ao Sudeste Asiático — estavam contaminadas e inutilizadas por milhões de minas terrestres e explosivos que continuavam a destruir vidas muito após o fim dos conflitos que levaram à sua utilização. “A mina terrestre é uma arma sempre pronta para vitimar pessoas”, disse Jody em seu discurso de recebimento do Prêmio Nobel. “É o soldado perfeito, a eterna ‘sentinela’. A guerra termina e a mina terrestre continua matando.” Seis organizações não governamentais fundaram a Campanha Internacional de Proibição de Minas Terrestres em 1992. Agiram com sutileza, persistência — e tiveram sorte.
Primeiro, mantiveram deliberadamente a ICBL como uma coalizão informal de grupos independentes, sem escritório central ou hierarquia. Em vez disso, construíram uma poderosa rede de comunicação que contava com a tecnologia de ponta da época: telefone, fax e – apenas no último ano da campanha — e-mail. A seguir, a coalizão da ICBL insistiu na realização de uma pesquisa de campo exaustiva para que os fatos e os números citados fossem os mais fidedignos possíveis. A própria Jody é coautora de um estudo detalhado das consequências sociais e econômicas de grandes números de minas terrestres em quatro países. O timing da ICBL também foi muito afortunado. O final da Guerra Fria permitiu que as nações tratassem de questões de paz e segurança a partir de perspectivas novas e deu mais poder aos grupos de cidadãos para exigirem ações internacionais em parceria com o governo — e não como antagonistas ou subordinados. A ICBL, Jody escreveu posteriormente, “galvanizou a opinião mundial contra as minas terrestres antipessoais a tal ponto que um tratado claro e simples foi negociado em cinco anos. Assinado por 122 nações em dezembro de 1997, o tratado tornou-se lei internacional obrigatória mais rapidamente do que qualquer outro acordo na história. O tratado proibiu, pela primeira vez, de modo abrangente, uma arma comum amplamente usada”. Embora não seja signatário do tratado, os Estados Unidos continuam sendo o maior contribuinte para a desminagem humanitária e proibiram todas as minas antipessoais “persistentes”. Os EUA mantêm apenas dispositivos considerados inertes após um período medido em horas ou dias, mas não em anos. Porém a ICBL não conta apenas com seu notável feito. Sob os olhos vigilantes do seu Relatório do Monitor de Minas Terrestres, que mede a conformidade com o Tratado de Proibição de Minas, as nações destruíram mais de 42 milhões de minas estocadas – 500 mil só em 2007. Os programas de desminagem limparam minuciosamente 122 km² em 2007, de acordo com o relatório, e o número de vítimas de minas continua a cair todo ano. Em ensaio sobre o impacto do Prêmio Nobel, Jody, atualmente professora da Escola de Pós-Graduação em Serviço Social da Universidade de Houston, escreveu: “Nosso modelo de mudança, embora algumas vezes seja objeto de crítica, continua a ser uma inspiração para pessoas em todo o mundo que acreditam que, se pudermos trabalhar juntos — sociedade civil e governo — é possível criar um mundo no qual a segurança humana esteja na base da segurança global, que por sua vez trará a paz, a justiça e a igualdade que todos os seres humanos merecem.” Geoffrey Canada: Uma Esteira Transportadora de Crianças >>>> |
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