Em Defesa da Educação InternacionalAllan E. Goodman
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A ideia de que as pessoas deveriam lutar para agir como cidadãos do mundo começou a se consolidar em todo o globo em uma escala sem precedentes. Vemos isso em todos os lugares:
O Instituto de Educação Internacional (IIE) administra mais de 250 programas que ajudam a tornar possíveis os intercâmbios acadêmicos e profissionais para mais de 20 mil participantes anualmente. Muitos desses programas ajudam a trazer estudantes estrangeiros para estudar nos Estados Unidos. Um dos mais conhecidos é o Programa Fulbright, patrocinado pelo Bureau de Assuntos Educacionais e Culturais do Departamento de Estado dos EUA. O seu objetivo é ampliar o entendimento mútuo entre o povo dos Estados Unidos e de outros países. Por meio dele, pessoas e ideias se transformam. Em um mundo em contínua mudança, ser um cidadão do mundo exige constante adaptação a novas ideias e circunstâncias. É por isso que o processo de transformação vivido por estudantes estrangeiros como parte de uma educação americana é tão importante: você é preparado para a constante transformação que será exigida em uma carreira no século 21. Recentemente, um ex-bolsista Fulbright, S.M. Krishna, tornou-se ministro de Assuntos Externos da Índia. A impressa atribuiu-lhe o mérito de ajudar a transformar Bangalore no pólo tecnológico mais reconhecido da Índia e também citou sua educação americana como prova de que ele seria capaz de lidar com os complexos desafios diplomáticos da Índia. Hoje, na Índia, tecnologia e relações exteriores operam em níveis drasticamente diferentes dos operados no final dos anos 1950 e no início dos anos 1960, quando S.M. Krishna era um bolsista Fulbright. Contudo, sua educação nos Estados Unidos, onde estudou na Universidade George Washington e na Universidade Metodista do Sul, desempenhou papel crucial ao prepará-lo para adaptar-se a esses desafios contemporâneos. Ao vir para os Estados Unidos, você poderá reavaliar suas opiniões sobre suas crenças mais arraigadas e terá uma abordagem renovada na área de estudo que mais lhe atrai. Dessa forma, você terá uma vantagem econômica ao adquirir o tipo de habilidade de comunicação intercultural valorizada pelos empregadores de hoje e uma vantagem intelectual ao desenvolver um entendimento mais profundo de seus valores e uma perspectiva mais ampla do mundo ao seu redor. Tornar o “internacional” parte da educação sinaliza uma profunda mudança naquilo que todos nós podemos levar do ensino superior. Afeta não somente o que dizemos, mas também o que escolhemos para ler e falar e como realmente pensamos. Pode fazer com que os países sejam melhores amigos e o mundo um lugar menos perigoso.
Discursando no Cairo em junho de 2009, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, observou que educação e inovação serão a moeda do século 21, e que, portanto, “expandiremos os programas de intercâmbio e ampliaremos as bolsas de estudo, como a que levou meu pai aos Estados Unidos”. O presidente considera que a educação e os programas de intercâmbio desempenham um papel fundamental na união dos povos ao dizer: “Acredito que os Estados Unidos mantêm dentro de si a verdade de que, independentemente de raça, religião ou posição na vida, todos nós compartilhamos aspirações comuns — viver em paz e segurança; ter acesso à educação e trabalhar com dignidade; amar nossos familiares, nossas comunidades e nosso Deus. Essas coisas nós compartilhamos. Essa é a esperança de toda a humanidade.” Comunicação transfronteiriça Embora muitos estudantes estrangeiros estejam cientes dos benefícios econômicos e pessoais de estudar no exterior, muitos vêm para os Estados Unidos não tanto para se tornarem cidadãos do mundo mas para aprender os mecanismos de áreas específicas como administração e engenharia. Na verdade, essas duas áreas juntas são responsáveis por mais de 36% de todos os estudantes estrangeiros nos Estados Unidos, segundo o relatório Portas Abertas 2008 do IIE. Muitos mais podem aspirar a obter títulos de prestígio como um MBA em Harvard ou um PhD pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, mas nunca conseguem deixar seus países para perseguir esse sonho. Questões como o alto custo e a extrema seletividade de tais programas podem dissuadir alunos de procurar uma educação internacional. Um estudante da China ou da Índia pode pensar: “Afinal de contas, os mecanismos de engenharia são os mesmos em todos os lugares, e as universidades do meu país melhoraram seus programas nos últimos anos.” Mas se os engenheiros esperam realizar inovações em disciplinas como física e química, eles devem buscar essas disciplinas em um mundo sem fronteiras, onde problemas e soluções são compartilhados entre as nações. Por exemplo, o Cern, o maior laboratório de física de partículas do mundo e uma das instalações científicas mais respeitadas mundialmente, é gerenciado por 20 Estados-membros da União Europeia e muitos outros países enviam cientistas para usar as instalações. Habilidades linguísticas, compreensão cultural e respeito mútuo são exigidos quando se trabalha nos diversificados grupos de pesquisa em instalações como essa. No lado mais comercial, fazer um produto competitivo exige compreensão do mercado global para o produto e da cadeia de fornecimento mundial que faz produção em massa de qualquer produto possível.
Alguns problemas de engenharia literalmente transcendem fronteiras internacionais. Comunicação via satélite e avanços na exploração espacial acontecem fora das fronteiras de qualquer nação e, cada vez mais, requerem colaboração de muitos parceiros internacionais. O consumo de energia derivada de combustíveis fósseis está mudando a atmosfera compartilhada por todos, independentemente de onde esse consumo ocorra. Motivados pela ameaça das mudanças climáticas, um indiano e dois estudantes americanos ajudaram a projetar e dirigiram um carro movido a energia solar e elétrica por 3.381 quilômetros, de Chennai a Nova Délhi. O americano Alexis Ringwald, que foi para a Índia com uma bolsa Fulbright para pesquisar financiamento de energia limpa, participou da equipe que fez essa viagem, chamada Climate Solutions Road Tour (Viagem em Busca de Soluções para o Clima). Durante o percurso, o grupo capacitava estudantes indianos a agir com relação às questões das mudanças climáticas. Capacitação para estudantes estrangeiros Os Estados Unidos abrigam mais de 4 mil instituições de ensino superior credenciadas que representam uma variedade inacreditável de títulos e programas. Embora os programas americanos de elite estejam entre os melhores no mundo, a diversidade do sistema de ensino superior é sua verdadeira força – contudo, 60% dos estudantes estrangeiros que vêm a este país frequentam apenas 156 dessas instituições. Portanto, embora já recebamos 22% dos estudantes que se movimentam pelo mundo, o sistema de ensino superior americano tem espaço para muitos mais. Acredito que uma das formas de os Estados Unidos poderem receber mais estudantes é por meio da capacidade das faculdades comunitárias americanas de servir como uma porta de acesso ao nosso sistema de ensino superior. Os estudantes estrangeiros podem começar nessas faculdades a um custo significativamente mais baixo e então mudar para dezenas de instituições com cursos de quatro anos por meio de um acordo de articulação – acordo aprovado oficialmente que combina trabalho de curso entre as escolas. Os números do Portas Abertas revelam que somente cerca de 14% dos estudantes estrangeiros atuais frequentam faculdades comunitárias. Acredito que na próxima década poderia chegar a 40% se os estudantes estrangeiros descobrirem que essas instituições oferecem um modo de ingressar no sistema de ensino superior, acelerar as habilidades linguísticas, conhecer a cultura americana e, em última instância, frequentar uma das muitas universidades públicas de prestígio. Para ajudar os estudantes estrangeiros a obter informações sobre esse e outros aspectos do sistema de ensino superior dos EUA, o Departamento de Estado oferece um recurso que muitos podem acessar sem sair de seu país. O EducationUSA é uma rede global de mais de 450 centros de orientação que oferece informações precisas, abrangentes, objetivas e oportunas sobre oportunidades educacionais nos Estados Unidos — sem custo para os estudantes e suas famílias. O EducationUSA também oferece orientação para pessoas qualificadas sobre como melhor acessar essas oportunidades. Obtenha mais informações no site: http://www.educationusa.state.gov. Estejam seus interesses profissionais no serviço público, na administração, em ciência e tecnologia, no mundo acadêmico, nas artes e cultura, ou em qualquer outra combinação dos setores acima, a cidadania global adquirida por meio da educação internacional lhe será de grande valia nos anos e décadas futuros.
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |
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