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Em Defesa da Educação Internacional

Allan E. Goodman

Campus Connections

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
Como se Tornar um Intermediador Cultural
Minha Filha Desabrochou
Uma Família de Estudantes Internacionais
Seis Anos na Suécia
Aqui Estou, uma Jovem Árvore
A Esperança e a Amizade Prevalecem
Super-Heróis Surgem da Vida em Duas Nações
Escrever sobre Tolerância
Chuck Norris e a Busca por Mim Mesma
Minha Viagem a Harvard
Em Defesa da Educação Internacional
Passaporte para o Sucesso
Apenas os Fatos
O Básico sobre Vistos para os EUA
Redes Sociais e Estudos no Exterior
Novas Exigências nas Fronteiras dos EUA
Prepare-se, Aí Vai Você
Guia de Recursos
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Why It’s Important: The Case for International Education
Estudantes na Universidade do Cairo, no Egito, ouvem com atenção o presidente americano, Barack Obama, alardear o valor do diálogo internacional (© Ben Curtis/AP Images)

Buscar educação em um país estrangeiro permite ao jovem desenvolver as habilidades necessárias para tornar-se um cidadão do mundo eficaz e produtivo. Allan E. Goodman é presidente e diretor executivo do Instituto de Educação Internacional, organização sem fins lucrativos líder no campo de intercâmbio educacional internacional e capacitação para o desenvolvimento.

A ideia de que as pessoas deveriam lutar para agir como cidadãos do mundo começou a se consolidar em todo o globo em uma escala sem precedentes. Vemos isso em todos os lugares:

  • O grupo contra a pobreza Oxfam diz que o cidadão do mundo é alguém que “tem consciência do mundo exterior e… respeita e valoriza a diversidade”.
  • A secretária de Estado dos EUA, Hillary Rodham Clinton, conclamou os graduandos de 2009 a se tornarem “enviados especiais de seus ideais” como “cidadãos embaixadores usando a vida pessoal e profissional para formar parcerias globais”.
  • O governo chinês criou o slogan “Um mundo, um sonho” para os Jogos Olímpicos de Pequim de 2008.

O Instituto de Educação Internacional (IIE) administra mais de 250 programas que ajudam a tornar possíveis os intercâmbios acadêmicos e profissionais para mais de 20 mil participantes anualmente. Muitos desses programas ajudam a trazer estudantes estrangeiros para estudar nos Estados Unidos. Um dos mais conhecidos é o Programa Fulbright, patrocinado pelo Bureau de Assuntos Educacionais e Culturais do Departamento de Estado dos EUA. O seu objetivo é ampliar o entendimento mútuo entre o povo dos Estados Unidos e de outros países. Por meio dele, pessoas e ideias se transformam.

Em um mundo em contínua mudança, ser um cidadão do mundo exige constante adaptação a novas ideias e circunstâncias. É por isso que o processo de transformação vivido por estudantes estrangeiros como parte de uma educação americana é tão importante: você é preparado para a constante transformação que será exigida em uma carreira no século 21. Recentemente, um ex-bolsista Fulbright, S.M. Krishna, tornou-se ministro de Assuntos Externos da Índia. A impressa atribuiu-lhe o mérito de ajudar a transformar Bangalore no pólo tecnológico mais reconhecido da Índia e também citou sua educação americana como prova de que ele seria capaz de lidar com os complexos desafios diplomáticos da Índia. Hoje, na Índia, tecnologia e relações exteriores operam em níveis drasticamente diferentes dos operados no final dos anos 1950 e no início dos anos 1960, quando S.M. Krishna era um bolsista Fulbright. Contudo, sua educação nos Estados Unidos, onde estudou na Universidade George Washington e na Universidade Metodista do Sul, desempenhou papel crucial ao prepará-lo para adaptar-se a esses desafios contemporâneos.

Ao vir para os Estados Unidos, você poderá reavaliar suas opiniões sobre suas crenças mais arraigadas e terá uma abordagem renovada na área de estudo que mais lhe atrai. Dessa forma, você terá uma vantagem econômica ao adquirir o tipo de habilidade de comunicação intercultural valorizada pelos empregadores de hoje e uma vantagem intelectual ao desenvolver um entendimento mais profundo de seus valores e uma perspectiva mais ampla do mundo ao seu redor. Tornar o “internacional” parte da educação sinaliza uma profunda mudança naquilo que todos nós podemos levar do ensino superior. Afeta não somente o que dizemos, mas também o que escolhemos para ler e falar e como realmente pensamos. Pode fazer com que os países sejam melhores amigos e o mundo um lugar menos perigoso.

Why It’s Important: The Case for International Education
Em sua viagem em junho de 2009 ao Egito, o presidente Obama promete apoio aos programas de intercâmbio e exorta os jovens a reconhecerem as “aspirações comuns” entre culturas (© Ben Curtis/AP Images)

Discursando no Cairo em junho de 2009, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, observou que educação e inovação serão a moeda do século 21, e que, portanto, “expandiremos os programas de intercâmbio e ampliaremos as bolsas de estudo, como a que levou meu pai aos Estados Unidos”. O presidente considera que a educação e os programas de intercâmbio desempenham um papel fundamental na união dos povos ao dizer: “Acredito que os Estados Unidos mantêm dentro de si a verdade de que, independentemente de raça, religião ou posição na vida, todos nós compartilhamos aspirações comuns — viver em paz e segurança; ter acesso à educação e trabalhar com dignidade; amar nossos familiares, nossas comunidades e nosso Deus. Essas coisas nós compartilhamos. Essa é a esperança de toda a humanidade.”

Comunicação transfronteiriça

Embora muitos estudantes estrangeiros estejam cientes dos benefícios econômicos e pessoais de estudar no exterior, muitos vêm para os Estados Unidos não tanto para se tornarem cidadãos do mundo mas para aprender os mecanismos de áreas específicas como administração e engenharia. Na verdade, essas duas áreas juntas são responsáveis por mais de 36% de todos os estudantes estrangeiros nos Estados Unidos, segundo o relatório Portas Abertas 2008 do IIE.

Muitos mais podem aspirar a obter títulos de prestígio como um MBA em Harvard ou um PhD pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, mas nunca conseguem deixar seus países para perseguir esse sonho. Questões como o alto custo e a extrema seletividade de tais programas podem dissuadir alunos de procurar uma educação internacional. Um estudante da China ou da Índia pode pensar: “Afinal de contas, os mecanismos de engenharia são os mesmos em todos os lugares, e as universidades do meu país melhoraram seus programas nos últimos anos.”

Mas se os engenheiros esperam realizar inovações em disciplinas como física e química, eles devem buscar essas disciplinas em um mundo sem fronteiras, onde problemas e soluções são compartilhados entre as nações. Por exemplo, o Cern, o maior laboratório de física de partículas do mundo e uma das instalações científicas mais respeitadas mundialmente, é gerenciado por 20 Estados-membros da União Europeia e muitos outros países enviam cientistas para usar as instalações. Habilidades linguísticas, compreensão cultural e respeito mútuo são exigidos quando se trabalha nos diversificados grupos de pesquisa em instalações como essa. No lado mais comercial, fazer um produto competitivo exige compreensão do mercado global para o produto e da cadeia de fornecimento mundial que faz produção em massa de qualquer produto possível.

Why It’s Important: The Case for International Education
Allan E. Goodman, do Instituto de Educação Internacional, defende os valores da cidadania global alcançados por meio de uma experiência educacional transnacional (Cortesia: IIE)

Alguns problemas de engenharia literalmente transcendem fronteiras internacionais. Comunicação via satélite e avanços na exploração espacial acontecem fora das fronteiras de qualquer nação e, cada vez mais, requerem colaboração de muitos parceiros internacionais. O consumo de energia derivada de combustíveis fósseis está mudando a atmosfera compartilhada por todos, independentemente de onde esse consumo ocorra. Motivados pela ameaça das mudanças climáticas, um indiano e dois estudantes americanos ajudaram a projetar e dirigiram um carro movido a energia solar e elétrica por 3.381 quilômetros, de Chennai a Nova Délhi. O americano Alexis Ringwald, que foi para a Índia com uma bolsa Fulbright para pesquisar financiamento de energia limpa, participou da equipe que fez essa viagem, chamada Climate Solutions Road Tour (Viagem em Busca de Soluções para o Clima). Durante o percurso, o grupo capacitava estudantes indianos a agir com relação às questões das mudanças climáticas.

Capacitação para estudantes estrangeiros

Os Estados Unidos abrigam mais de 4 mil instituições de ensino superior credenciadas que representam uma variedade inacreditável de títulos e programas. Embora os programas americanos de elite estejam entre os melhores no mundo, a diversidade do sistema de ensino superior é sua verdadeira força – contudo, 60% dos estudantes estrangeiros que vêm a este país frequentam apenas 156 dessas instituições. Portanto, embora já recebamos 22% dos estudantes que se movimentam pelo mundo, o sistema de ensino superior americano tem espaço para muitos mais.

Acredito que uma das formas de os Estados Unidos poderem receber mais estudantes é por meio da capacidade das faculdades comunitárias americanas de servir como uma porta de acesso ao nosso sistema de ensino superior. Os estudantes estrangeiros podem começar nessas faculdades a um custo significativamente mais baixo e então mudar para dezenas de instituições com cursos de quatro anos por meio de um acordo de articulação – acordo aprovado oficialmente que combina trabalho de curso entre as escolas. Os números do Portas Abertas revelam que somente cerca de 14% dos estudantes estrangeiros atuais frequentam faculdades comunitárias. Acredito que na próxima década poderia chegar a 40% se os estudantes estrangeiros descobrirem que essas instituições oferecem um modo de ingressar no sistema de ensino superior, acelerar as habilidades linguísticas, conhecer a cultura americana e, em última instância, frequentar uma das muitas universidades públicas de prestígio.

Para ajudar os estudantes estrangeiros a obter informações sobre esse e outros aspectos do sistema de ensino superior dos EUA, o Departamento de Estado oferece um recurso que muitos podem acessar sem sair de seu país. O EducationUSA é uma rede global de mais de 450 centros de orientação que oferece informações precisas, abrangentes, objetivas e oportunas sobre oportunidades educacionais nos Estados Unidos — sem custo para os estudantes e suas famílias. O EducationUSA também oferece orientação para pessoas qualificadas sobre como melhor acessar essas oportunidades. Obtenha mais informações no site: http://www.educationusa.state.gov.

Estejam seus interesses profissionais no serviço público, na administração, em ciência e tecnologia, no mundo acadêmico, nas artes e cultura, ou em qualquer outra combinação dos setores acima, a cidadania global adquirida por meio da educação internacional lhe será de grande valia nos anos e décadas futuros.

Campus Connections

As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA.