Minha Filha DesabrochouVikram Murthy
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Quando Gayatri nos contou que estava decidida a fazer pós-graduação nos Estados Unidos, minha esposa e eu acolhemos a ideia com carinho. Não colocamos nenhuma resistência, mas duas coisas nos perturbavam: como obteríamos recursos suficientes para financiar sua educação nos Estados Unidos, e como Gayatri conseguiria viver de forma independente em um ambiente estranho? Tivemos muita sorte de encontrar e contratar um consultor em Mumbai, que nos aconselhou sobre alguns desses problemas e nos tranquilizou com relação a muitas das nossas apreensões. Depois de encontrá-lo, Gayatri, minha mulher e eu pudemos passar por todo o processo com certo grau de tranquilidade e confiança. Mais tarde, Gayatri obteve uma bolsa de estudos de grande prestígio na Universidade Americana, e isso aliviou nossas preocupações financeiras, além de, naturalmente, ter nos deixado muito orgulhosos. Quando chegou a hora de enfrentar a separação de fato, minha mulher e eu estávamos, com certeza, mais nervosos. Gayatri jamais havia morado longe de casa durante os 22 anos que passou conosco em Mumbai. Estávamos muito apreensivos sobre as primeiras semanas que ela passaria em Washington, pois não tínhamos lá amigos para recebê-la, para guiá-la ou para aconselhá-la. Gayatri estava decidida a viajar sozinha, sem nenhum de nós. No fim, ela localizou em Washington uma senhora, irmã de um grande amigo da Índia. Essa pessoa recebeu Gayatri e lhe ofereceu um lugar onde poderia ficar por algumas semanas até encontrar sua própria moradia. Sinceramente, diria que tanto nós, os pais, quanto Gayatri sofremos com a separação. Sentíamos falta da presença de nossa filha única todas as tardes, quando ambos voltávamos do trabalho, e ela sentia falta do calor e do conforto do lar, além da familiaridade e da confiança de viver em Mumbai. Mesmo tendo sentido sua falta, minha mulher e eu vimos uma mudança positiva em Gayatri nos dois anos em que ela passou nos Estados Unidos. Ela está muito mais confiante e articulada. Consegue tomar decisões sobre sua vida pessoal e profissional com facilidade e sem necessidade de nos consultar. Ela se tornou o centro das conversas na maioria das plateias, e o faz com grande facilidade e discernimento — totalmente o oposto de sua natureza reservada e quieta de quando criança. A mudança de personalidade começou na Faculdade São Xavier em Mumbai, mas ela desabrochou no ambiente americano. Outros pais poderão me perguntar se devem enviar seu filho ou filha a outro país, como nós fizemos. Não tenho resposta direta. Creio que as qualificações dos filhos para enfrentar um ambiente “estranho” e sua capacidade de adaptação dependerão muito de como foram criados. Para um jovem que cresceu em um ambiente semiurbano ou rural isso será mais difícil do que para outro educado na cidade, onde a vida apresenta desafios e as crianças aprendem a se adaptar mais facilmente. Os pais, assim como sua origem socioeconômica, também terão muita influência sobre a adaptabilidade do filho a mudanças. A familiaridade do jovem com o idioma inglês é outro fator. Isso é natural para muitos estudantes indianos que vão para os Estados Unidos, mas absolutamente não o é para outros. Apesar de tudo o que disse, meu conselho a qualquer pai indiano é que uma educação no exterior é uma experiência que transformará seu filho em uma pessoa confiante, que poderá viver de forma independente e tomar decisões pessoais e profissionais em benefício próprio.
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. |
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