Um Dia na Vida de um Eleitor do Colégio EleitoralBruce Odessey
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Timothy Wilard, um dos 538 eleitores do Colégio Eleitoral que votou para presidente em 2004, narra sua experiência. Seu candidato perdeu. Bruce Odessey é o editor-gerente desta edição de eJournal EUA. Um dia em dezembro de 2004, o advogado Timothy G. Willard deixou por algumas horas seu escritório em Georgetown, Delaware, e viajou para a capital do estado, Dover, a fim de votar para presidente dos Estados Unidos. Muitas pessoas, provavelmente, acreditavam que os cidadãos de Delaware haviam votado para presidente um mês antes, mas na realidade tinham votado para três eleitores do Colégio Eleitoral comprometidos a dar seu voto ou para o republicano George W. Bush ou para o democrata John F. Kerry. Willard era militante do Partido Democrata estadual; ex-presidente do partido no condado, havia sido delegado na convenção nacional de indicação partidária em 2000 e trabalhado na plataforma política estadual do partido em 2004. Delaware, um dos menores estados da União, tinha apenas três votos no Colégio Eleitoral em 2004. (A Califórnia, o maior estado, tinha 55). Delaware coincidentemente tem somente três condados, e o presidente estadual do Partido Democrata indicou uma pessoa de cada condado, inclusive Willard, do condado de Sussex, para ser eleitor do Colégio Eleitoral se Kerry ganhasse o voto popular em Delaware. O Dia da Eleição em Dover Kerry realmente venceu em Delaware, com 53% do voto popular. Na verdade, os candidatos democratas à Presidência ganharam todas as eleições em Delaware desde 1988. E assim Willard teve a oportunidade de ir a Dover votar no Colégio Eleitoral em 13 de dezembro, a primeira segunda-feira depois da segunda quarta-feira de dezembro, conforme determina a Constituição dos EUA para os eleitores do Colégio Eleitoral de todos os estados e do Distrito de Colúmbia (a capital nacional, Washington). Às 10 horas da manhã, Willard e seus dois colegas sentaram-se no decorado salão da Câmara dos Deputados de Delaware, escolheram um deles como presidente e depois cumpriram seu dever.
Eles receberam o resultado oficial da eleição de novembro, proveniente do Departamento Eleitoral estadual, e assinaram vários documentos certificando os resultados: três votos eleitorais para Kerry como presidente, três votos eleitorais para o companheiro de chapa de Kerry, John Edwards, como vice-presidente. Eles encaminharam os documentos para o secretário de Estado de Delaware para envio aos Arquivos Nacionais, em Washington. Algumas semanas depois, o Congresso dos EUA contou oficialmente os votos do Colégio Eleitoral para presidente e vice-presidente, inclusive os de Willard. Mas como todos já sabiam, Bush venceu Kerry por 286 a 252. Cerimonial Os eleitores do Colégio Eleitoral não têm o mesmo poder de independência que os fundadores da nação imaginaram que teriam quando elaboraram a Constituição em 1787. Já em 1796, os partidos políticos que surgiam estavam mudando a dinâmica do Colégio Eleitoral. Para Willard, a tarefa era mera formalidade. Ele provavelmente nem chegou a pensar em votar em alguém que não fosse John Kerry. Na verdade, a lei estadual de Delaware o proibia de votar em qualquer outro. (Ninguém sabe se a lei é constitucionalmente obrigatória, mas, de qualquer modo, os chamados eleitores infiéis são extremamente raros na história.) “O evento em si não recebeu muita atenção da mídia, da imprensa e nem do público”, disse Willard. “Eu apenas me lembro de estar na Câmara dos Deputados, e as galerias não estavam lotadas.” Mesmo assim, ele estava orgulhoso de ser útil em uma obrigação formal do ato de governar que precisava ser cumprida. “Foi uma grande honra participar de um processo que, penso, muitas pessoas não entendem”, disse. Contudo, também disse que os americanos deveriam estudar sistemas alternativos para eleger o presidente, sistemas que não elejam um candidato com menos votos populares nacionais do que outro candidato, como ocorreu algumas vezes com o Colégio Eleitoral. “Acho que precisamos explorar alternativas que sejam mais compreensíveis e mais simples”, afirmou Willard. “Estou apenas dizendo… Não acredito que uma coisa é boa se as pessoas não a entendem ou têm dúvidas ou são céticas em relação a ela.” | ||||