Oportunidade DecisivaTodd Stern
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Todd Stern, enviado especial para Mudanças Climáticas do Departamento de Estado dos EUA, ajuda a desenvolver a política internacional dos EUA sobre o clima e é o principal negociador do governo sobre o assunto, representando os Estados Unidos internacionalmente em nível ministerial em todas as negociações bilaterais e multilaterais. Ele tem vasta experiência nos setores público e privado, em questões ambientais e em outras questões globais.
A ciência é clara. O gelo do Oceano Ártico está desaparecendo mais depressa do que se esperava. A camada de gelo da Groenlândia está constantemente encolhendo. O derretimento do subsolo antes permanentemente congelado (permafrost) na tundra eleva o risco de enorme liberação de metano. Os níveis do mar ameaçam agora subir muito acima do que o previsto anteriormente. E, com o derretimento de geleiras na Ásia e no Continente Americano, os suprimentos de água sofrem risco cada vez maior. Eis os fatos. Eles enviam uma mensagem simples e dura: o status quo é insustentável. A saúde do nosso planeta está em nossas mãos e a hora de agir é agora. A próxima Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) em Copenhague oferece a oportunidade de mobilizar a ação coletiva internacional para enfrentar esse desafio global. Sob a liderança do presidente Obama e da secretária de Estado, Hillary Clinton, os Estados Unidos trabalham com nossos parceiros do mundo inteiro para encontrar pontos em comum e fazer retroceder a maré de futuros danos irreversíveis. Reconhecemos que os Estados Unidos devem liderar o esforço global para combater as mudanças climáticas. Temos responsabilidade como maior emissor histórico de gases de efeito estufa do mundo. Sabemos que, sem a redução das emissões dos EUA, nenhuma solução para as mudanças climáticas é possível. E estamos confiantes que os Estados Unidos podem e irão assumir a liderança na construção da economia de energia limpa do século 21. Em apenas oito meses, o governo Obama alterou drasticamente a política dos EUA sobre mudanças climáticas e está liderando pelo exemplo por meio de ação rigorosa em casa. A Lei Americana de Recuperação e Reinvestimento incluiu mais de US$ 80 bilhões para investimentos em energia limpa. O presidente Obama estabeleceu uma nova política para todos os novos carros e caminhões, de modo a aumentar a economia de combustível e reduzir a poluição pelos gases de efeito estufa. Existe um projeto de lei em tramitação no Congresso, a Lei Americana de Energia Limpa e Segurança de 2009, que prevê a redução das emissões de carbono dos EUA em 7% em 2020 e 83% em 2050 em relação aos níveis de 2005. Porém, a ação dos Estados Unidos e de outros países desenvolvidos não é suficiente. Mais de 80% do crescimento futuro de emissões virá de países em desenvolvimento. Simplesmente não há maneira de preservar o planeta seguro e habitável a não ser que os países em desenvolvimento desempenhem papel fundamental nas negociações sobre o clima e se juntem a nós na adoção de ações coletivas para enfrentar esse desafio comum. Não é questão de política ou moralidade ou de certo ou errado, mas simplesmente da matemática implacável das emissões cumulativas.
Enfrentar as mudanças climáticas é uma oportunidade econômica, não um ônus. O elo entre energia limpa e sustentável e crescimento econômico vigoroso é a marca registrada da economia global do século 21. Com o apoio correto, os países em desenvolvimento podem pular as fases mais sujas do desenvolvimento e aproveitar o potencial de fontes de energia nova e limpa. Esse é o futuro. Os Estados Unidos buscam uma estratégia multifacetada para envolver a comunidade internacional e estimular os países em desenvolvimento a adotar outras ações. Em primeiro lugar, estamos totalmente comprometidos com o processo de negociação da Convenção-Quadro. Nossa equipe de negociação voltou recentemente da terceira viagem a Bonn, e continuaremos a participar das sessões de negociação que aplainarão o caminho para Copenhague em dezembro de 2009. Em segundo lugar, revigoramos o diálogo entre 17 das maiores economias — incluindo China, Índia, Brasil, México, Coreia do Sul, África do Sul e Indonésia — por meio do nosso Fórum das Grandes Economias sobre Energia e Clima, cujos líderes se reuniram em julho na Itália imediatamente após a reunião do G-8. O fórum oferece a oportunidade única de manter discussões francas entre as maiores economias do mundo sobre uma série de questões complexas, incluindo mitigação, adaptação, tecnologia e finanças, que serão o foco das discussões em Copenhague. Em terceiro lugar, estamos nos concentrando em relações bilaterais fundamentais. O governo ampliou os esforços para fortalecer a relação EUA-China, e as mudanças climáticas são um componente essencial desse diálogo. Encontrei-me com a secretária Hillary Clinton em fevereiro, durante sua primeira viagem à China, onde ela elevou o desafio da mudança climática para prioridade máxima. O secretário de Energia, Steven Chu, e o secretário do Comércio, Gary Locke, apresentaram mensagens semelhantes durante visitas subsequentes. Além disso, o Departamento de Estado, em conjunto com o Departamento do Tesouro, sediou recentemente reuniões do Diálogo Estratégico e Econômico com a China, quando os dois países assinaram um memorando de entendimento sobre energia limpa e clima. Resumindo, nenhuma solução global será possível se não encontrarmos uma saída com a China. Além disso, viajei com a secretária Hillary para a Índia e depois, sozinho, para o Brasil, para consultas e aprofundamento do nosso diálogo com esses dois parceiros importantes e para explorar oportunidades de progresso de nossos países rumo a um resultado positivo nas negociações da UNFCCC em Copenhague. Raramente nos deparamos com oportunidade tão clara de moldar nosso futuro e melhorar nosso modo de vida para as gerações vindouras. Os Estados Unidos são transparentes em suas intenções de garantir um acordo internacional sólido, e estou confiante que juntos podemos enfrentar o desafio global das mudanças climáticas. |
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