McCain por Ele Mesmo
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Em seu discurso de aceitação na Convenção Nacional Republicana em 4 de setembro de 2008, John McCain descreve os sentimentos que desenvolveu pelos Estados Unidos enquanto foi mantido prisioneiro de guerra por mais de cinco anos pelos norte-vietnamitas. Tenho sido um servidor imperfeito para o meu país há muitos anos. Mas tenho sido seu servidor acima de tudo e sempre. E nunca vivi um dia, nos bons ou maus momentos, que não agradecesse a Deus por esse privilégio. Há muito tempo, algo inusitado aconteceu comigo que me ensinou a mais valiosa lição da minha vida. Fui abençoado pelo infortúnio. Falo isso sinceramente. Fui abençoado porque servi na companhia de heróis e testemunhei milhares atos de coragem, solidariedade e amor. Em uma manhã de outubro, no Golfo de Tonkin, preparei-me para minha 23ªmissão no Vietnã do Norte. Não me preocupava se iria voltar são e salvo. Achava que era mais forte do que qualquer um. Eu era bastante independente naquela época, também. Gostava de quebrar algumas regras e entrar em algumas brigas por diversão. Mas eu o fazia para minha própria satisfação, meu próprio orgulho. Não achava que havia uma causa mais importante do que eu. Então me vi caindo no meio de um pequeno lago na cidade de Hanói, com dois braços e uma perna quebrados e uma multidão furiosa me aguardando. Fui jogado em uma cela escura e deixado lá para morrer. Não me sentia mais tão durão. Quando descobriram que meu pai era almirante, levaram-me a um hospital. Eles não conseguiram colocar meus ossos no lugar de maneira adequada, então simplesmente me engessaram. Como não melhorei e estava reduzido a cerca de 50 quilos, puseram-me em uma cela com dois outros americanos. Eu não conseguia fazer nada. Não conseguia nem me alimentar. Eles faziam isso para mim. Eu estava começando a aprender os limites da minha independência egoísta. Aqueles homens salvaram a minha vida. Eu estava confinado em uma solitária quando meus captores ofereceram-me a liberdade. Eu sabia o porquê. Se eu fosse para casa, eles usariam isso como propaganda para desmoralizar meus companheiros de prisão. Nosso Código dizia que poderíamos ir para casa somente na ordem de nossa captura, e havia homens que tinham sido capturados antes de mim. Pensei na oferta, entretanto. Eu não estava em boa forma e sentia saudade de tudo que remetesse aos Estados Unidos. Mas recusei a oferta. Vários prisioneiros estavam em situação pior do que a minha. Eu havia sido maltratado antes, mas não tanto quanto os outros. Gostava de andar com altivez logo após ter sido espancado para mostrar aos outros companheiros que era durão o suficiente para agüentar aquilo. Mas após recusar a oferta, passaram a me bater mais do que antes. Por muito tempo. E me arrebentaram. Quando me levaram de volta à minha cela, eu estava ferido e envergonhado e não sabia como poderia encarar meus companheiros de prisão. O homem bom da cela ao lado, meu amigo Bob Craner, salvou-me. Por meio de batidas na parede ele me disse que eu havia resistido o máximo que podia. Nem sempre é possível resistir sozinho. E então ele me disse para ficar novamente de pé e voltar a lutar pelo nosso país e pelos homens com os quais tive a honra de servir. Porque todos os dias eles lutavam por mim. Apaixonei-me pelo meu país quando fui prisioneiro no país de outras pessoas. Eu amava meu país não somente pelos muitos confortos da vida aqui. Amava-o pela sua decência; pela sua fé na sabedoria, na justiça e na bondade de seu povo. Amava-o porque não era somente um lugar, mas uma idéia, uma causa pela qual valia a pena lutar. Nunca mais fui o mesmo. Eu não me pertencia mais. Pertencia ao meu país. Fonte: http://www.johnmccain.com/Informing/News/Speeches/ef046a10-706a-4dd5-bd01-b93b36b054bc.htm | |||