Obama por Ele Mesmo
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Neste trecho de um de seus discursos, Barack Obama fala sobre um tempo de sua vida em que “comecei a perceber um mundo além de mim” e sobre seu desejo de ser um agente de mudança. Essas declarações foram feitas em seu discurso de patrono em formatura da Universidade de Wesley, Middletown, Connecticut, em 5 de maio de 2008. Tornei-me ativista no movimento contra o regime do apartheid na África do Sul. Comecei a acompanhar os debates neste país sobre pobreza e assistência médica. Desse modo, ao terminar a faculdade, estava tomado por uma idéia maluca — iria trabalhar com as comunidades de base para conseguir mudar as coisas. Escrevi cartas para todas as organizações do país que conhecia. E, um dia, um pequeno grupo de igrejas do lado sul de Chicago ofereceu-me um emprego para trabalhar como organizador comunitário nos bairros que haviam sido devastados pelo fechamento das siderúrgicas. Minha mãe e meus avós queriam que eu fosse para a faculdade de Direito. Meus amigos estavam se candidatando a empregos em Wall Street. Enquanto isso, essa organização me oferecia US$ 12 mil por ano e mais US$ 2 mil por um carro velho em mau estado. E eu aceitei. Agora, eu não conhecia uma alma em Chicago e não estava certo sobre qual era o negócio dessa organização comunitária. Tinha sempre sido inspirado por histórias do Movimento pelos Direitos Civis e pelo chamado para trabalhar pelo país de JFK [presidente John F. Kennedy], mas quando fui para o lado sul não havia marchas e nem discursos inflamados. Nas sombras de uma siderúrgica vazia, havia apenas um monte de pessoas lutando. E não avançamos muito no início. Ainda lembro de um dos primeiros encontros, bem no início, quando nos reunimos para discutir a violência das gangues com um grupo de líderes comunitários. Esperamos por longo tempo que as pessoas aparecessem e, por fim, um grupo de pessoas mais velhas entrou na sala. E elas se sentaram. Uma senhorinha levantou a mão e perguntou: “O jogo de bingo é aqui?” Não foi fácil, mas ao final das contas, avançamos. Dia a dia, quarteirão a quarteirão, reunimos a comunidade e registramos novos eleitores, criamos programas extracurriculares, lutamos por novos postos de trabalho e ajudamos as pessoas a viver com alguma dignidade. Mas também comecei a perceber que não estava apenas ajudando outras pessoas. Ao prestar serviços descobri uma comunidade que me envolvia; a cidadania que me era cara; o rumo que procurava. Por meio do trabalho comunitário descobri como minha própria história improvável se encaixava na história mais ampla dos Estados Unidos. Fonte: http://www.barackobama.com/2008/05/25/remarks_of_senator_barack_obam_70.php | |||