Joe Biden, Candidato do Partido Democrata à Vice-PresidênciaDavid Pitts
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O senador americano traz valores da classe média e ampla experiência em política externa para a campanha presidencial de Barack Obama. O jornalista freelancer David Pitts é ex-redator do Departamento de Estado. “Considero meu papel em ajudar a terminar o genocídio nos Bálcãs e em assegurar a aprovação da Lei de Combate à Violência contra a Mulher como os momentos dos quais mais me orgulho na vida pública.” Assim escreveu em 2007 o senador Joseph R. Biden, candidato democrata à Vice-Presidência dos Estados Unidos, em sua autobiografia Promises to Keep: On Life and Politics [Promessas a Cumprir: na Vida e na Política]. O passado de Biden é fundamental para entender essa auto-avaliação. Católico irlandês, nasceu em uma família modesta em 1942 em Scranton, cidade no nordeste da Pensilvânia constituída principalmente por trabalhadores. Sua mãe era dona de casa; seu pai, vendedor de carros. A família mudou-se para o estado de Delaware quando Biden tinha 10 anos. Ele foi o primeiro da família a obter um diploma universitário, formando-se pela Faculdade de Direito da Universidade de Syracuse, em Nova York. O divisor de águas da carreira política de Biden aconteceu quando foi eleito pela primeira vez para o Senado americano representando Delaware, em 1972, aos 29 anos de idade. Algumas semanas antes de tomar posse, sua esposa e filha morreram em um acidente de carro. Seus dois filhos mais novos sobreviveram ao acidente, mas ficaram gravemente feridos. (Biden casou-se novamente em 1977, união que resultou em uma filha.) Outro fato lastimável ocorreu em 1988 quando foi diagnosticado com dois aneurismas cerebrais potencialmente fatais. Sua recuperação foi longa e dolorosa. Ele ficou ausente do Senado por sete meses, acamado na maior parte do tempo. Durante sua carreira no Senado, Biden apresentou um desempenho predominantemente liberal. Embora seja admirado pelos republicanos e tenha trabalhado além das divisões partidárias, na maioria das vezes Biden tem apoiado seu próprio partido. Por exemplo, segundo o Washington Post, no atual Congresso ele votou com os democratas 96,6% das vezes. Ele “é amplamente considerado um internacionalista de mente liberal”, escreveu Michael Gordon no New York Times. “Biden tem enfatizado a necessidade de diplomacia, no entanto, está preparado para fazer uso da ameaça de força.” Em seus primeiros anos no Senado, Biden concentrou-se em questões internas, em particular liberdades civis, aplicação das leis e direitos civis. Tornou-se membro da Comissão de Justiça em 1975 e foi seu presidente de 1987 a 1995. A realização legislativa mais significativa de Biden durante esse período foi a histórica Lei de Combate à Violência contra a Mulher (1994), de sua autoria. Essa lei fornece bilhões de dólares em verbas federais para combater crimes de gênero. Mas Biden, algumas vezes, afastou-se da visão liberal convencional. Por exemplo, foi um defensor ferrenho de leis mais rígidas com relação às condenações por drogas. Também se opôs ao ônibus escolar com o objetivo de alcançar integração racial de escolas ao mesmo tempo que destacava seu compromisso com os direitos civis.
Uma perspectiva de Relações Exteriores Biden tem se destacado no Senado na área de Relações Exteriores. É membro da influente Comissão de Relações Exteriores do Senado desde 1975 e foi seu presidente de 2001 a 2003 e de 2007 até a presente data. Barack Obama foi designado para essa comissão após ser eleito para o Senado em 2004 e passou a conhecer Biden mais de perto ao trabalharem juntos. Atualmente Obama lidera a subcomissão para a Europa, outrora presidida por Biden. Contudo, Obama e Biden discordaram sobre uma questão fundamental de política externa. Biden votou a favor da resolução final do Senado autorizando a invasão do Iraque pelos EUA, ao passo que Obama (que ainda não estava no Senado naquela época) manifestou-se contra a decisão. Entretanto, antes da votação para a resolução final Biden trabalhou com o senador republicano por Indiana Richard Lugar para aprovar uma resolução autorizando ação militar somente após a exaustão dos esforços diplomáticos. Biden votou a favor da autorização da guerra após a resolução ter sido rejeitada. Mas também votou contra uma emenda que exigia que o governo Bush obtivesse autorização antes de invadir o Iraque. Em 2005, Biden definiu seu voto a favor da invasão do Iraque como “um erro”. Em uma aparição conjunta em Springfield, Illinois, após Obama ter escolhido Biden como seu companheiro de chapa, o portador do estandarte democrata disse que seu vice é “especialista em política externa e seu coração e valores têm raízes sólidas na classe média”. Obama também chamou Biden de “um critico ferrenho da política externa de Bush-McCain e voz para um novo rumo na luta contra terroristas e no fim da guerra do Iraque de modo responsável”. Durante o período na Comissão de Relações Exteriores do Senado, Biden viajou muitas vezes para o exterior e conhece bem não somente muitos líderes estrangeiros, mas também seus vices e principais assessores — além de líderes da oposição. Também lidou com questões significativas como controle de armas, proliferação nuclear, ampliação da Otan, rivalidade das superpotências e relações dos EUA com o Terceiro Mundo. Tem sido também um defensor implacável da Iniciativa Global de Combate à Aids e um dos primeiros simpatizantes dos esforços para controlar as emissões de carbono e os gases de efeito estufa. (Biden foi o primeiro a redigir a legislação de controle climático há duas décadas.) De modo geral, tem também apoiado acordos de livre comércio. O senador de vários mandatos tem um interesse especial pela África. Foi um dos primeiros críticos do regime do apartheid na África do Sul. Em Darfur, defendeu ações mais enérgicas para interromper o derramamento de sangue nessa cidade. A realização mais significativa de política externa de Biden, segundo a maioria dos observadores, foi seu esforço para combater hostilidades nos Bálcãs durante os anos 1990. Dizia-se que Biden era uma voz influente conclamando o governo Clinton a adotar medidas contra o líder sérvio Slobodan Milosevic. Em sua aparição em Springfield, Obama disse que Biden “ajudou a moldar políticas que terminariam com as mortes nos Bálcãs”. Especificamente, Biden pediu intervenção para pôr fim à limpeza étnica dos muçulmanos na Bósnia. Mais tarde, apoiou a campanha de bombardeios da Otan para forçar a Sérvia a deixar Kosovo. Biden concorreu à indicação de candidato à Presidência duas vezes – em 1988 e novamente este ano. Nas duas vezes não foi bem-sucedido. A campanha de Obama disse que Biden foi escolhido como companheiro de chapa por muitas razões, mas citou principalmente a experiência do senador por Delaware e seu desempenho em política externa. Se eleito, Biden será o primeiro vice-presidente católico e o primeiro vice-presidente de Delaware.
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. | ||||||