A Valorização do Papel do Vice-PresidenteJohn M. Murphy e Mary E. Stuckey
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A Vice-Presidência dos Estados Unidos cresceu em importância à medida que as demandas da Presidência aumentaram. Do mesmo modo, os vice-presidentes tornaram-se mais conhecidos do público americano e têm mais chance de ser eles próprios indicados — embora não necessariamente eleitos — à Presidência. John M. Murphy é professor associado de Comunicação Oral da Universidade da Geórgia. É especializado em retórica política contemporânea. Mary E. Stuckey é professora associada de Comunicação e Ciência Política da Universidade Estadual da Geórgia. Acabou de concluir um livro (ainda não editado) intitulado American in Light and Shadow: Presidential Articulation of National Identity [Americanos em Luz e Sombras: Articulação Presidencial da Identidade Nacional]; seus outros livros são: Strategic Failures in the Modern Presidency [Falhas Estratégicas na Presidência Moderna] e The President as Interpreter-in-Chief [O Presidente como Intérprete-Chefe]. "Há uma velha história sobre uma mãe que tinha dois filhos. Um vai para o mar e o outro se torna vice-presidente dos Estados Unidos. Não se ouve falar mais de nenhum deles.” —Hubert H. Humphrey, vice-presidente dos Estados Unidos de 1965 a 1969. As pressões institucionais, culturais e estruturais por um vice-presidente mais ativo continuarão a crescer. Durante a maior parte da história da nação, a Vice-Presidência, nas palavras amenizadas de um ocupante descontente, valia pouco mais do que um tostão furado. Antes da Segunda Guerra Mundial, os vice-presidentes ocuparam pouco a atenção do governo ou do público. Esses homens consideravam o cargo como um prelúdio agradável da aposentadoria, com pelo menos uma exceção notável representada por John C. Breckinridge, que após servir como vice-presidente de Buchanan, perdeu as eleições para presidente de 1860 e depois lutou contra os Estados Unidos como general-de-brigada confederado e secretário de Guerra durante a Guerra Civil americana (1861-1865). Esse precedente, não inteiramente feliz, não teve seguidores. No entanto, após o surgimento do Estado administrativo e dos Estados Unidos como potência mundial, o vice-presidente não pôde mais ser ignorado. A aceleração do poder e da complexidade do governo dos EUA nas décadas subseqüentes significou que a Presidência não seria mais um cargo para uma só pessoa. Uma série de etapas incrementais, desde a atribuição de tarefas específicas até a alocação de espaço de escritório na Casa Branca, elevou o perfil e o poder do vice-presidente. Cada vez mais, o vice-presidente emerge como retórico valioso para o governo, em circunstâncias que vão do “Kitchen Debate” de Richard Nixon ao debate sobre o Acordo de Livre Comércio da América do Norte de Al Gore. Como resultado, tornou-se difícil para o presidente se sair bem com um vice-presidente inoperante.
Em resumo, a Presidência agora é muito grande. O presidente Bill Clinton convocou o vice-presidente e a primeira-dama como parceiros, e a confiança do presidente George W. Bush em Richard Cheney, principalmente no início do seu mandato, foi tão marcante que o colunista Lexington, da revista The Economist,observou que a Vice-Presidência está sendo elevada à categoria de um importante ministério. Essa evolução do cargo coloca o vice-presidente sob os holofotes da opinião pública, tornando-o um postulante presidencial natural. De fato, a natureza da política contemporânea em geral e das campanhas presidenciais em particular torna mais provável que os futuros presidentes façam campanha para seus vice-presidentes. Nas 11 disputas presidenciais entre 1960 e 2000, realizadas após o advento da televisão como uma força significativa e o declínio concomitante e debatido dos partidos políticos, vice-presidentes ou ex-vice-presidentes foram indicados nove vezes por seus partidos. Apenas duas vezes (Lyndon Johnson em 1964 e Gerald Ford em 1976) as candidaturas foram em decorrência da morte ou da renúncia do presidente e conseqüente ascensão do vice-presidente ao cargo de titular. Nas 11 eleições anteriores a esse período (1916 a 1956), apenas duas vezes os vice-presidentes ou ex-vice-presidentes foram os indicados dos seus partidos, e as duas vezes por morte do presidente anterior. Uma vez que os presidentes recentes tiveram, por força das circunstâncias, que se valer mais dos seus vice-presidentes, esses antes desconhecidos ocupantes do cargo têm agora oportunidades inestimáveis de se estabelecer no consciente dos telespectadores nacionais. Além disso, com um mínimo de cooperação presidencial, eles podem incluir consultores políticos nas folha de pagamento dos comitês nacionais, viajar extensivamente e com conforto a expensas do governo durante os anos anteriores à eleição e utilizar os recursos do poder executivo para elaborar políticas públicas. E, o que é mais importante no cenário atual, eles estão situados em condições ideais para levantar enormes quantias de dinheiro e deter ou sobrepujar oponentes em potencial. Em 1988, o então vice-presidente George H.W. Bush enfrentou uma lista descomunal de adversários em sua nomeação para presidente. Em 2000, a maioria dos democratas recusou-se a concorrer contra o vice-presidente Gore apesar dos escândalos de Clinton e do descontentamento de ativistas liberais com o governo, e Gore afastou seu único concorrente com a facilidade e o desdém que Michael Jordan sentia pelos Knicks de Nova York. Como o colunista político Jules Witcover ressaltou: “A Vice-Presidência, antes considerada como um relógio de ouro ganho por bons serviços prestados ao partido e uma passagem sem volta para o esquecimento político, passou a ser considerada de modo diferente.” Resumindo, os presidentes agora necessitam de seus vice-presidentes para estabelecer, sedimentar e continuar com suas visões do país. Os presidentes não podem trabalhar sem a ajuda dos vice-presidentes; os presidentes não podem concorrer a um terceiro mandato e precisam se voltar os para vice-presidentes; e, em razão das vantagens políticas que os vice-presidentes desfrutam, os presidentes raramente podem, se é que podem, designar uma outra pessoa como seu herdeiro escolhido. No entanto, a argumentação usada pela maioria dos presidentes para ajudar seus vice-presidentes acaba por prejudicar os vices. Os presidentes ainda falam como se os vices fossem suas criaturas. Cada vez mais, eles não são. Chegamos ao ponto em que os vice-presidentes são parceiros próximos dos presidentes e são inevitavelmente indicados por seus respectivos partidos. São também quase que inevitavelmente perdedores na eleição geral. A retórica presidencial em nome dos vice-presidentes exemplifica a lei de conseqüências não intencionais; os presidentes nunca se preocupam em dizer adeus e, no entanto, a forma como se despedem apressam o afastamento de seus programas políticos e de seus herdeiros leais. Extraído de “Never Cared to Say Goodbye: Presidential Legacies and Vice Presidential Campaigns” [Nunca se Preocuparam em dizer Adeus: Legados Presidenciais e Campanhas Vice-Presidenciais]. © Presidential Studies Quarterly, março de 2002. Reprodução autorizada.
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. | |||||