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A Cultura Afeta a Carreira e o Planejamento de Vida

Richard N. Bolles

ÍNDICE
Sobre Esta Edição
O Que Você Tem a Oferecer ao Mundo
A Cultura Afeta a Carreira e o Planejamento de Vida
Parabéns, pessoal: Diretor Executivo da Dell Computers
Um Rio me Conduz
Parabéns, pessoal: Diretor Executivo da American Express Kenneth I. Chenault
Chili, Cachorros-Quentes e o Legado de Família
Construir Memórias para Ganhar a Vida
Parabéns, pessoal: Governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger
Jogador de Games Chega ao “Darkest of Days”
Um Tributo a Trabalhos Sujos, Difíceis e Perigosos
Parabéns, pessoal: Juiz da Suprema Corte Stephen Breyer
Escolha de Profissão em Tempos de Mudança
Prestando Serviço Público, Ganhando uma Profissão
Mais Poder às Comunidades
Parabéns, pessoal: Cantor pop Billy Joel
Cada Chamada é Diferente
O Ingresso na Faculdade
Abra seus Olhos
Jornada de Mudanças
Recursos Adicionais
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Man in crowd reading his notebook. © AP Images/Bebeto Matthews
Esta feira de empregos foi patrocinada pela Universidade Municipal de Nova York para reunir formandos, ex-alunos e empregadores em busca de funcionários (© Bebeto Matthews/AP Images)

A maneira como os jovens escolhem suas profissões varia enormemente de um país para outro, e os padrões estabelecidos em cada um deles podem exercer grande influência.

Richard N. Bolles é o autor de Qual a Cor do Seu Pára-Quedas?, guia para procura de empregos e escolha de profissão que teve 10 edições publicadas nos últimos 30 anos e foi traduzido para mais de 20 línguas.

Vamos começar com uma história.

Imagine um belo vale, repleto de árvores frutíferas de todos os tipos. Alguém lhe diz que todos os frutos da árvore que escolher serão seus. Para facilitar sua escolha, uma pequena mesa é colocada na entrada do vale, na qual é possível provar o sabor de diversos frutos para saber qual você prefere. Ao terminar a degustação, você deverá apontar para o fruto escolhido. Você será conduzido através do vale até chegar a essa bela árvore “Esta é sua árvore”, dizem-lhe.

Mas em vez de uma forte emoção, o seu sentimento é de desânimo ao ver que o fruto mais baixo encontra-se a sete metros do chão. Embora em tese o fruto escolhido lhe pertença, a verdade é que você não consegue alcançá-lo.

O que resta é aceitar a frustração de que seu fruto favorito estará para sempre fora do seu alcance ou encontrar uma forma de alcançá-lo.

Primeiro, você procura derrubar alguns dos frutos atirando pedras nos ramos mais baixos da árvore. Quando isso não funciona você busca outra opção. Você então reúne um grupo de amigos, que formam uma pirâmide viva, um sobre os ombros do outro, e então levantam-no como um acrobata até o topo dessa pirâmide humana sobre a qual você então poderá alcançar o fruto. Mas os amigos são instáveis e a pirâmide sob você logo começa a desmoronar. Então uma última idéia vem à sua mente. Você retira um livro da biblioteca e, com o conselho e a ajuda prática daqueles mesmos amigos, aprende a construir uma escada de madeira ou de bambu de nove metros. Uma vez pronta, ela pode ser levada de um lado para o outro sob a árvore, e é possível colher o delicioso fruto do desejo.

Uma vez em posse do fruto, você deixa o vale pelo outro extremo onde encontra um inspetor cujo objetivo é certificar-se de que o fruto realmente lhe pertence antes de lhe permitir que o conserve.

Você pode ter adivinhado que essa é uma parábola ou alegoria destinada a nos ajudar a formar um quadro geral de como é buscar uma carreira nos Estados Unidos, com suas quatro fases:

Author Bolles in casual pose. © AP Images/Ben Margot
Richard N. Bolles é o autor de Qual a Cor do Seu Pára-Quedas?, best-seller de orientação vocacional (© Ben Margot/AP Images)

A escolha de uma profissão que seja do seu agrado. Ela é representada pela degustação do fruto na entrada do vale.

A procura de emprego Ela é representada inicialmente pela impossibilidade de alcançar o fruto. Eis a principal verdade deste artigo: A escolha de uma profissão quando não acompanhada de habilidades na busca por um emprego é “infrutífera”. São duas partes de um todo indivisível. Sem as habilidades requeridas na busca por um emprego, a escolha de uma profissão não passa de um sonho. Sem que se escolha uma profissão, procurar um emprego não é mais do que um perambular. Perambular ou sonhar: essas são as conseqüências de dominar apenas um aspecto da busca por emprego como é feita nos Estados Unidos.

Os vários métodos de procura de emprego. Eles são representados pelas pedras, a pirâmide humana e a escada. Os métodos mais usados na procura de emprego nos Estados Unidos são o envio de currículos (jogar pedras na árvore, esperando que alguns frutos caiam no chão); redes de contato (construir uma pirâmide humana para alcançar o fruto); e/ou capacitação, tornando-se para sempre um caçador de empregos bem-sucedido ao usar a presente crise para aprender como lidar com esse tipo de situação para o resto de sua vida. Para alcançar seu intento, deverá fazer um inventário de suas habilidades, aprendendo a demonstrá-las e depois identificando as necessidades dos empregadores visados (isso é representado pela construção de uma escada permanente).

Ser bem-sucedido na entrevista com um empregador em potencial. Isso é representado, em nossa parábola, pelo posto de inspeção na saída do vale na extremidade mais distante.

Tendo essa parábola sobre o sistema profissional dos EUA como pano de fundo, veremos como o processo de escolha de uma profissão e a procura de um emprego (um tópico indivisível) difere desse modelo em outros países do mundo. Não se esqueça de que em cada país esse processo é como um arco-íris. Podemos selecionar ou discutir uma cor predominante em determinado país, mas as outras cores estão sempre presentes em um ou outro grau. Portanto, é ridículo afirmar que todo país possui um único método de lidar com a escolha de uma profissão ou a procura de um emprego; geralmente existem tantas exceções quantas são as “regras”. Podemos falar somente em termos de pressupostos, tendências ou modismos predominantes, e eles freqüentemente ocorrem apenas entre algumas classes sociais de determinado país.

Com essas advertências em mente, catalogaremos a seguir as variações existentes no mundo. Olhemos para os arco-íris:

A escolha de uma profissão. Em todo o mundo, algumas pessoas simplesmente “cairão” em uma profissão por acidente ou casualidade; por conseguinte, a “escolha de uma profissão” não é algo enormemente valorizado ou esperado; em tais culturas, os jovens não sabem nem o que querem, nem têm a perspectiva de eles próprios se questionarem. Por outro lado, no outro extremo de nosso arco-íris, em alguns países, a escolha de uma profissão é certamente esperada, mas a família toda escolhe qual profissão você deverá seguir. Trata-se de uma escolha conjunta, não individual — com base em qual profissão conferirá maior prestígio, ou “projeção” para a família como um todo. (Em muitas culturas, a “projeção” se refere à reputação da família ou do indivíduo ou à sua posição na sociedade.) Vale a pena observar que as sociedades que não usam o vocabulário da “projeção” freqüentemente tomam esse conceito como base para seu sistema de escolha de uma profissão: Será que uma determinada profissão tem a capacidade de automaticamente imprimir respeito e conferir uma posição social privilegiada ao indivíduo ou à família? Geralmente, engenheiros, médicos e professores ocupam as posições mais elevadas, enquanto empresários e políticos ocupam as mais baixas. A escolha individual é limitada por considerações desse tipo.

A procura por um emprego. Em algumas culturas, ou pelo menos entre determinadas classes, não há muita escolha quanto à melhor forma de procurar um emprego. O método de procura por um emprego é prescritivo e até mesmo ritualístico: “Há uma ordem nas coisas; essa é a forma como deve ser feita.” Na Irlanda do Norte, por exemplo, a lei exige que os candidatos a determinados empregos do Estado sejam submetidos exatamente às mesmas perguntas. Em outros países, o ritual pode não ter status de lei, mas pode ser uma expectativa fortemente prescrita. Em alguns países da América Latina ou do Sul, por exemplo, espera-se que o candidato envie às empresas que despertam seu interesse um pacote com dez páginas ou mais, antes de uma entrevista. Esse pacote deve incluir um currículo de três a cinco páginas (às vezes mais), históricos escolares, certificados, fotocópias de diplomas, cartas de recomendação de empregadores anteriores, etc. A idéia é passar credibilidade — “Eu sou quem eu digo que sou” — antes que as empresas peçam essa comprovação. Algumas culturas (como na Europa) mantêm a crença quase inabalável de que o sistema de busca por emprego funciona de forma bem ordenada e prescrita — mesmo quando há toneladas de evidência de que isso simplesmente não é verdade. Mesmo parte dos Estados Unidos não está imune a essa ilusão.

Os vários métodos de procura por um emprego. No outro extremo do arco-íris da procura por um emprego, nos Estados Unidos e em países com latitude semelhante, é possível usar qualquer método que lhe ocorra. Se amanhã você inventar um novo método do qual ninguém nunca ouviu falar, terá mais poder em suas mãos. Não há limites, exceto evitar estranhezas e mau gosto. Em Qual a Cor do Seu Pára-Quedas?, identifico 16 métodos diferentes de procura por um emprego, mas os três mais comuns são aqueles aos quais aludi anteriormente em nossa alegoria: currículos, redes de contato e capacitação. No entanto, ao contrário da alegoria, eles em geral não representam alternativas, mas são todos usados simultaneamente na busca de sucesso em qualquer caso determinado.

Ser bem-sucedido na entrevista com um empregador em potencial. O arco-íris aqui é impressionante. A diferença decisiva, contudo, gira em torno de se a entrevista e o emprego são percebidos com relação a um grupo ou um indivíduo. Nos Estados Unidos, estamos acostumados a colocar a ênfase no indivíduo. O indivíduo é o sujeito da entrevista de contratação, durante a qual deve dizer porque se destaca em comparação com outros caçadores de emprego com históricos semelhantes. O indivíduo deve descrever e documentar os resultados que alcançou em empregos ou funções anteriores. O indivíduo deve, ao final, pedir o emprego e depois decidir qual oferta de trabalho deve aceitar.

Em vários outros países do mundo, esse é um processo totalmente estranho, em especial nas culturas nas quais a família é a força social dominante. Nesses países, a ênfase recai sobre a importância da comunidade, do grupo e da equipe, tanto no trabalho como na entrevista.

Para os chamados abridores de caminhos, a comunidade pode estar presente na entrevista e contar com a participação de toda a família (em algumas culturas asiáticas ou Maori). Sua função é atuar voluntariamente para dizer coisas que você pode ter esquecido de mencionar ou que a humildade não lhe permite dizer. Com o avanço do processo, o papel dos membros da família é decidir qual cargo e empresa você deve aceitar, com base em qual oferece maior “projeção” à família.

A comunidade é o sujeito da entrevista. Não é o indivíduo que acumula realizações — apenas o grupo ou a equipe. De fato, em algumas culturas, para que a equipe possa atingir o patamar mais elevado, os empregadores podem considerar apenas a contratação de pessoas da mesma cidade ou comunidade para ter a certeza de que trabalharão bem em conjunto.

Como caçador de empregos, seu papel na entrevista é enfatizar sua contribuição para a equipe ou o grupo com o qual trabalhou no passado. Mais do que isso — ou seja, procurar destacar-se dos outros membros do grupo — é considerado arrogância. No Japão, essa proibição está consagrada no adágio “martele o prego que se destaca do resto, de forma que eles fiquem no mesmo plano”; enquanto na Austrália e na Nova Zelândia, isso é conhecido como “a papoula mais alta é a primeira a ser cortada”. Ai!

Aqui, o mais aconselhável é falar de seus trunfos apenas em termos de “valor agregado”, uma palavra que praticamente todos os empregadores entendem.

Agora que vimos como funciona o processo de escolha de uma profissão e a procura por um emprego em vários países  do mundo, vejo quatro lições para alguém que está prestes a percorrer essa estrada:

    • Faça um inventário de si mesmo. Procure conhecer a si mesmo da melhor forma possível. (Veja exercícios em Qual a Cor do Seu Pára-Quedas? ou em obras semelhantes.) Decida quais habilidades transferíveis você possui, em especial, quais delas poderiam ser úteis à equipe ou à comunidade de trabalhadores.

    • Usando a internet, a lista telefônica ou conversas com pessoas que atuam em sua área de interesse, descubra o máximo possível sobre as empresas ou organizações nas quais gostaria de trabalhar. Se você sabe mais sobre a empresa do que outros postulantes ao emprego, causará uma boa impressão na entrevista. As empresas adoram ser amadas.

    • Familiarize-se com as formas de caça de emprego geralmente características do lugar onde está buscando trabalho. Fale com várias pessoas que encontraram empregos nesse local e pergunte como conseguiram. Tome nota.

    • Vá fundo! Pergunte às pessoas quem entre seus conhecidos não seguiu o caminho tradicional, mas de qualquer maneira encontrou um trabalho que gostava de fazer. Fale com eles cara a cara, se puder, e pergunte como o conseguiram. Anote todos os detalhes para que possa montar um “Plano B” no caso de o caminho tradicional nesse país não ser o que deseja.

O que você quer, mais do que qualquer emprego, é ter esperança em relação a seu futuro e sua vida. E, na busca por um emprego, como na vida, a esperança é fruto da crença de que sempre há caminhos alternativos a serem trilhados na busca por um propósito e um sentido nesse mundo.

Mais informações sobre a procura de emprego estão disponíveis no site do autor http://www.jobhuntersbible.com/

As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA.