Prestando Serviço Público, Ganhando uma ProfissãoSiobhan Dugan
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Há mais de 40 anos, o governo dos EUA patrocina programas que engajam jovens no serviço público. Esses programas são amplamente financiados por contribuições feitas por seus participantes. Os jovens voluntários também saem dos programas com uma nova visão de seus talentos, capacidades e futuro. Siobhan Dugan é especialista em Assuntos Públicos da Corporação para Serviço Comunitário Nacional, organização controladora da AmeriCorps, que oferece 75 mil oportunidades a cada ano para que adultos ajudem a atender às necessidades comunitárias críticas em todo o país. Os membros da AmeriCorps são conhecidos pela ajuda que prestam aos outros. Eles mantêm programas extracurriculares, constroem trilhas em parques nacionais, apagam incêndios florestais e prestam ajuda imediata em desastres nacionais que vão dos ataques terroristas de 11 de setembro ao Furacão Katrina. As pessoas atendidas por eles são imensamente gratas por seus esforços. Mas o que acontece quando um membro da AmeriCorps termina uma temporada de serviço de um ano? Muitos membros da AmeriCorps concordam que seu serviço os ajuda a desenvolver habilidades que os preparam para suas futuras profissões. Eles também afirmam que a AmeriCorps os ajuda a descobrir quais profissões desejam buscar. Essas opiniões são comprovadas pelo Still Serving: Measuring the Eight-Year Impact of AmeriCorps on Alumni [Ainda a Serviço: Uma Medida do Impacto da AmeriCorps sobre seus Ex-Alunos ao longo de Oito Anos], relatório de 2008 que analisou os impactos do serviço da AmeriCorps sobre um grupo de 2 mil membros oito anos após seu serviço em comparação com um grupo-controle de indivíduos semelhantes que não prestaram serviço. O estudo, o mais rigoroso já realizado sobre os impactos da AmeriCorps sobre seus membros, demonstrou de forma conclusiva que a organização lhes oferece novas oportunidades de carreira e benefícios no mercado de trabalho. Cerca de 80% de seus membros afirmaram que seu serviço os colocou em contato com novas opções de carreira, e mais de dois terços dos antigos membros afirmaram que seu serviço representou uma vantagem na busca por um emprego após terem concluído seu período na AmeriCorps. Prestando serviço aos jovens Consideremos Brian McClendon, 29, que cresceu no Harlem, na cidade de Nova York, e é associado à ONG que hoje se chama Harlem Children’s Zone desde o ensino médio. Atualmente supervisiona os membros da AmeriCorps e trabalha diretamente com as crianças contempladas pelo programa de serviço comunitário, sem nunca esquecer que já esteve na situação delas. O serviço como membro da AmeriCorps forneceu a McClendon a estrutura para suas atuais funções de gestão. “Sem essa base”, afirmou, “não acho que teria sido bem-sucedido”. A AmeriCorps também lhe deu “a oportunidade de trabalhar com famílias, com crianças na comunidade, e de aperfeiçoar minhas habilidades sociais. Lidar com tantas personalidades diferentes, atendendo suas necessidades, tem sido uma experiência maravilhosa”. O serviço na AmeriCorps colocou-o em contato com uma enorme quantidade de novas habilidades, que incluem resolução de conflitos, mediação e gestão da sala de aula. “Acima de tudo, adquiri a capacidade de servir como líder em minha classe, minhas escolas e minha comunidade”, disse. O serviço também lhe trouxe novos planos de carreira. Quando criança e adolescente, havia imaginado um futuro relacionado com a aplicação das leis; formou-se em Justiça Criminal. A AmeriCorps mudou seu objetivo, conta, mas há uma relação com seus novos objetivos no serviço comunitário. Ele vê seu papel como “prevenir problemas e evitá-los”. Quando a polícia se envolve em uma situação “é tarde demais, a lei já foi desrespeitada”. Ao contrário, McClendon afirmou, quando se trabalha com os jovens mais cedo, especialmente durante a primeira infância, isso “dá-lhes uma chance de lutar. É uma influência muito mais potente”. Embora ele ainda tenha muito respeito pelo lado da equação que cabe à Justiça Criminal, vê sua escolha de profissão como tendo um “impacto mais profundo” sobre as pessoas atendidas pela Harlem Children’s Zone. Desde a década de 1970 a organização tem oferecido programas nas áreas de educação, serviço social e desenvolvimento comunitário para as crianças e famílias que vivem no Harlem. Atualmente, ele também faz mestrado em Administração Pública, que lhe conferirá “mais cacife [credenciais] na área de gestão do sistema de serviço público. Eu não teria decidido fazer isso não fosse por minha experiência na AmeriCorps”.
Protegendo a água No centro-oeste do país, no Colorado, Torie Bowman, atualmente membro da AmeriCorps, pretende dar um novo rumo à sua vida quando seu período de serviço terminar. Como aconteceu para McClendon, a AmeriCorps colocou Torie em contato com uma carreira diferente, que dará continuidade ao trabalho que está fazendo agora. Torie, 25, é líder de uma equipe da AmeriCorps Vista junto à Equipe de Proteção à Água Western Hardrock e trabalha com questões referentes à qualidade da água, especialmente quando afetada por minas. O programa se esforça por conscientizar os grupos a respeito da preservação das bacias hidrográficas com o intuito de começarem a trabalhar em conjunto para além de fronteiras políticas, como as estaduais. Ao concentrar-se sobre o nível das bacias hidrográficas, Torie esforça-se por reunir os grupos em torno de questões comuns. Enquanto líder de equipe, Torie recruta outros membros da Vista para prestarem auxílio a outros grupos preocupados com as bacias hidrográficas. Ela deu início a seu serviço na Vista no ano passado com a Equipe de Preservação das Bacias Hidrográficas Appalachian Coal Country, na Virgínia Ocidental. Seu trabalho concentrou-se nas bacias hidrográficas de pequenas comunidades mineradoras históricas, nas quais a indústria da mineração teve efeitos negativos sobre as bacias hidrográficas. “Faço inúmeras visitas a bacias hidrográficas, formo redes de contatos e desenvolvo parcerias em todo o estado”, disse. Ela também organiza eventos para sessões de treinamento e encontros da Vista, além de elaborar inúmeros projetos de doações. A experiência tornou Torie apta a prestar o Teste de Aptidão da Faculdade de Direito, com o objetivo final de trabalhar com direito ambiental. Trabalhou como guia de rafting durante dois anos antes de entrar para a AmeriCorps. “Os termos de minha carreira e do serviço foram uma transição enorme para mim, aprendi a usar o cérebro, e não só o corpo”, afirmou. Torie graduou-se em História da Arte e da Religião pela Universidade Wake Forest em 2005. “O título é sem dúvida um dos motivos pelos quais procurei a Vista”, disse. “Ele não me deu nenhuma idéia de quais são minhas habilidades práticas. Queria trabalhar intensamente com algo que me permitisse desenvolver essas habilidades.” Ela definitivamente atingiu esse objetivo. “Para mim, praticamente tudo que sei sobre mim mesma veio de minha experiência de serviço. Aprendi que gosto de trabalhar com pessoas. Dou conta de trabalhar com a documentação, mas mais do que isso, adoro apresentar as pessoas, formar redes de contato e desenvolver parcerias. Isso me forçou a compreender algumas questões e a ser uma pessoa bem informada, especialmente em assuntos referentes à qualidade da água.” Entretanto, Torie acha que trabalhar numa organização sem fins lucrativos pode ser limitante. “A faculdade de Direito me pareceu um caminho para ser mais eficiente, especialmente no trabalho com a qualidade da água.” Segundo Torie, o Colorado tem sido um bom lugar para envolver-se com questões referentes à qualidade da água. A qualidade da água é importante em toda parte, mas a qualidade e a quantidade da água são gerenciadas com rigor nesse estado das Montanhas Rochosas devido à escassez do recurso. Atualmente, Torie está se candidatando para faculdades de Direito, tendo como meta as mais bem conceituadas faculdades de Direito Ambiental. Ela também deseja estudar questões legais relacionadas com os índios americanos, um interesse que foi despertado quando estudou a política e a espiritualidade dos índios americanos na faculdade. Comunicando-se nas comunidades Angelina Moya, 23, está hoje à procura de um emprego em sua cidade natal de Aurora, em Illinois, e na cidade vizinha de Chicago, após concluir sua temporada de serviço junto ao Corpo Comunitário Civil Nacional (NCCC) da AmeriCorps em julho. É formada em Estudos de Comunicação e deseja usar a combinação de sua formação universitária com a experiência no serviço comunitário para encontrar uma vaga no terceiro setor. “Descobri que [procurar emprego] é um grande desafio”, disse. “O mercado de Chicago é competitivo e as organizações estão enfrentando dificuldades financeiras.” Isso à parte, ela afirmou que seu serviço no NCCC lhe forneceu uma rica experiência em áreas cruciais. Os membros do NCCC estão distribuídos em equipes de 10 a 12 pessoas que trabalham juntas durante um ano e dividem moradias que se assemelham a dormitórios. “Uma das melhores coisas que aprendi com o NCCC foram habilidades interpessoais”, afirmou Angelina. “Minha equipe era muito diversificada, com várias personalidades diferentes. Tínhamos personalidades fortes. Esse é um dos desafios, mas também um dos melhores aspectos da minha experiência. Como o trabalho com pessoas diferentes é um ponto pacífico na maior parte dos locais de trabalho, Angelina reconhece a necessidade de flexibilidade. “Acho que estou um pouco mais aberta agora”, afirmou. Angelina trabalhou em projetos amplamente distintos em várias localidades enquanto esteve no NCCC. Em Lake Charles, Louisiana, cujos moradores ainda lutam com os estragos do Furacão Rita em 2005, sua equipe trabalhou em um projeto de Habitações para a Humanidade, construindo uma casa sobre palafitas de 4,2 metros para protegê-la de furacões futuros. Em Ketchikan, no Alasca, sua equipe reformou um edifício de cem anos para transformá-lo em um centro comunitário para jovens. Em um outro projeto em Louisiana, sua equipe trabalhou em um depósito da Habitações para a Humanidade, fornecendo material para as casas em construção. Além de seu papel como membro da equipe, Angelina trabalhou como contato de mídia para sua equipe. “Antes do NCCC, minha [experiência em] Estudos da Comunicação era tão ampla que eu precisava reduzi-la. Agora tenho essa experiência com o serviço comunitário e desenvolvi interesse e amor por isso, então desejo continuar. Isso me ajudou a tornar meus planos de futuro e o desenvolvimento de minha carreira mais sólidos.” Embora o serviço na AmeriCorps tenha fornecido a esses três membros uma experiência que contribuirá para que sejam bem-sucedidos em suas carreiras, nenhum deles considera este o aspecto mais importante do programa. Os membros da AmeriCorps têm grande impacto sobre as pessoas às quais prestam auxílio. Nas palavras de Brian McClendon: “Acho que salvamos muitas vidas; muitas vidas precisavam ser salvas. Estou na linha de frente.” A AmeriCorps é um programa da Corporação para Serviço Comunitário Nacional, um órgão federal que melhora vidas, fortalece as comunidades e promove o engajamento cívico por intermédio da prestação de serviços e do voluntariado. A cada ano, a corporação engaja mais de 4 milhões de americanos de todas as idades e formações em seu serviço para atender às necessidades locais por meio de seus programas Senior Corps, AmeriCorps, Vista, NCCC e Aprender e Servir aos EUA. Para mais informações, visite www.nationalservice.gov. | ||||