Escolha de Profissão em Tempos de MudançaPhyllis McIntosh
| ||||
|---|---|---|---|---|
As tecnologias de avanço rápido e o realinhamento econômico trouxeram turbulências significativas ao mercado de trabalho americano, mudando o modo como os jovens fazem escolhas quando saem da escola e partem para o trabalho. Phyllis McIntosh é jornalista freelancer em Washington, DC, com ampla experiência na cobertura de questões de emprego. Em certos aspectos, nunca foi tão fácil para os jovens americanos buscar uma carreira. Uma riqueza de informações sobre oportunidades de educação, empregadores em potencial e aberturas de vagas específicas está tão próxima quanto o computador mais próximo. Contudo, muitos jovens atualmente levam mais tempo do que os das gerações anteriores para concluir sua educação, encontrar um emprego que lhes seja adequado e optar por uma carreira. São exigentes com relação aos empregos que aceitam e provavelmente mudam de emprego com mais freqüência. Para essa geração, lealdade entre empregador e empregado é um conceito ultrapassado. Surfe cibernético em busca de carreiras Nenhum desenvolvimento teve mais impacto sobre a forma como os americanos procuram empregos do que a internet. No passado, os estudantes universitários não tinham outra opção a não ser freqüentar feiras de profissões, reunir-se com representantes de empresas e ler grande quantidade de informações no centro de profissões do campus para inteirar-se das possibilidades em sua área. Atualmente, os estudantes podem, conforme sua conveniência, pesquisar empregadores em potencial via sites de empresas e até mesmo candidatar-se a vagas on-line. “Muitos alunos acham mais confortável pesquisar de maneira passiva”, afirma Edwin W. Koc, diretor de pesquisa da Associação Nacional de Faculdades e Empregadores (Nace). “A desvantagem é que isso dificulta para os empregadores avaliar o aluno como um candidato a uma vaga. Os empregadores aqui nos Estados Unidos ainda confiam muito no contato pessoal. Nossas pesquisas mostram que os estudantes que conseguem empregos mais cedo são aqueles que combinam pesquisa na internet com encontros pessoais com os empregadores.” As mais novas ferramentas on-line para pessoas à procura de emprego são os populares sites de relacionamento, como o Facebook, o MySpace e o LinkedIn, que permitem aos usuários divulgar instantaneamente para centenas de pessoas que eles estão no mercado à procura de um tipo particular de emprego. Os empregadores também estão recorrendo a esses sites para preencher vagas. Nas pesquisas conduzidas por Koc, cerca de 16% de empregadores dizem usar os sites de relacionamento como parte do sistema de recrutamento e 7% dos estudantes dizem ter sido contatados diretamente por um empregador por meio de um site de relacionamento. O aspecto negativo para os candidatos é que muito mais empregadores – 44% – usam os sites para conferir os perfis dos candidatos ao emprego, segundo pesquisa feita pelo www.Vault.com, site voltado para carreiras. Mais de 80% desses empregadores afirmam que encontrar algo negativo no perfil de um candidato on-line afetaria sua decisão de contratar. A internet também está possibilitando que um número cada vez maior de americanos obtenha diplomas universitários on-line, uma conveniência principalmente para alunos mais velhos com empregos e responsabilidades com família. Contudo, em pesquisa do Vault, 63% dos empregadores revelaram que favoreceriam um candidato com diploma universitário tradicional em detrimento de um com diploma on-line. No lado positivo, 83% dos empregadores e gerentes contratantes consideram os diplomas on-line mais aceitáveis agora do que há cinco anos.
Adiamento da vida adulta Embora a procura de emprego possa ser mais fácil, os jovens americanos parecem estar tendo mais dificuldade para traçar o rumo de suas vidas. De fato, segundo John Flato, vice-presidente de pesquisa e consultoria do Vault, muitos precipitam-se em uma profissão em vez de buscar sua educação com um objetivo claro com relação à carreira. Metade de todos os alunos universitários muda sua área de habilitação principal durante o primeiro ano. E, embora mais de 40% dos calouros planejem fazer cursos de pós-graduação ou freqüentar uma escola de formação profissional, esse número cai para 20% quando estão no último ano. Estudo da Nace mostrou que a maioria dos estudantes universitários escolhe uma área de habilitação principal porque gosta dos trabalhos do curso. Exceto em áreas como engenharia, em que o trabalho de graduação é estritamente planejado para preparar os alunos para uma carreira específica, os alunos não relacionam sua área de habilitação principal com o que farão quando se formarem, relata Koc. Talvez por causa de toda essa incerteza, os alunos universitários levam agora em média seis anos para concluir o que costumava ser um curso de quatro anos, afirma Flato. Uma das razões, observa, é que as faculdades estão ansiosas para segurarem os alunos e não permitem aos que mudam de área de habilitação fazer uma carga de cursos extra para se formarem no prazo tradicional de quatro anos. O diploma universitário tampouco lança os jovens automaticamente na vida adulta. De modo geral, casam mais tarde e por razões econômicas muitos voltam para casa. Pais zelosos ficam satisfeitos em prover apoio financeiro continuado e alguns ficam profundamente envolvidos na vida de seus filhos adultos – ao ponto até mesmo de, afirmam especialistas em carreira, acompanhá-los a entrevistas de emprego ou de telefonar a um empregador para descobrir porque seu filho ou filha não foi contratado. Para muitos jovens formados, o primeiro emprego é meramente um trampolim; metade deles muda de emprego dentro de 12 a 18 meses. “De certa forma, o processo exploratório que costumava ocorrer na faculdade está sendo feito durante os primeiros anos na força de trabalho”, diz Daniel H. Pink, escritor e palestrante sobre questões de carreiras e emprego. “Uma certa dose de precipitação [em uma profissão] é inevitável e acho saudável quando se tem um mercado de trabalho difícil de prever.” Tendências de mudanças Uma das mudanças mais significativas nos Estados Unidos é o desaparecimento da lealdade de longo prazo a um empregador. Os jovens reconhecem que mudar de emprego é o modo mais rápido de avançar em termos de salário e responsabilidade e, ao contrário de seus pais e avós, poucos esperam permanecer na mesma empresa por décadas. Também não esperam lealdade de longo prazo e segurança de emprego por parte de seus empregadores. “As pessoas vêem seus amigos e familiares perderem o emprego por demissões, rescisões de contratos e aquisições, portanto, dizem que se as empresas vão fazer isso, eu vou pensar em mim”, observa Flato. Por sua vez, os empregadores estão facilitando a mudança de emprego mais do que nunca. A cobertura de seguro-saúde para novos funcionários geralmente começa imediatamente, sem período de carência, e as aposentadorias tradicionais oferecidas pelas empresas foram substituídas por planos de aposentadoria 401 (K). Os empregados fazem suas contribuições para esses planos e mantêm os fundos mesmo quando deixam o emprego. Mais do que qualquer outra geração anterior, os jovens americanos procuram significado em seu trabalho. Pesquisas mostram que eles procuram empregadores que sejam ecologicamente corretos e socialmente responsáveis e querem empregos nos quais possam fazer diferença no mundo. Também são atraídos por empregadores que oferecem várias comodidades no local de trabalho, tais como academia de ginástica, assistência médica e creche, barbearia, serviços de lavanderia e tinturaria – qualquer coisa que facilite conciliar trabalho e vida pessoal. Em várias pesquisas recentes, estudantes universitários questionados sobre quem seriam seus empregadores ideais colocaram em primeiro lugar a gigante de ferramenta de busca Google, famosa por seu ótimo refeitório gratuito e por outras comodidades para os funcionários. Para um significativo contingente de jovens, a localização geográfica é fator decisivo para aceitar um emprego. Alguns procuram um certo estilo de vida em uma grande cidade ou próximo a ela ou em uma região específica do país. Muitos também preferem ficar com o que lhes é familiar e recusam uma oferta de emprego porque é muito longe de casa, segundo estudo da Nace. Apesar de suas exigências, os universitários recém-formados podem esperar que as oportunidades de emprego continuem relativamente grandes, dizem os especialistas, à medida que a economia americana saia da recessão. Contratações de jovens são atraentes para os empregadores, porque são menos caros para recrutar e mais receptivos a treinamento no local de trabalho do que os funcionários mais antigos. Quando os trabalhadores nascidos nos anos após a Segunda Guerra Mundial – os chamados baby boomers – começarem a se aposentar nos próximos anos, muitas vagas se abrirão, especialmente no governo e no setor da educação, prevê Koc. Ele acrescenta que as perspectivas de vagas em geral permanecerão boas nas áreas de administração de empresas – área de habilitação mais popular nas universidades dos Estados Unidos –, embora muitos empregos no setor financeiro tenham desaparecido em consequência do caos nos mercados americanos no final de 2008. Como as tarefas rotineiras são cada vez mais atribuídas aos computadores, “habilidades como arte, criatividade, empatia e raciocínio amplo, já tão valorizadas hoje, se tornarão ainda mais importantes”, afirma Dan Pink. Uma coisa é certa: na economia de hoje, nada é mais constante do que a mudança, tanto no modo como os jovens americanos vêem as profissões, quanto nos tipos de vagas que ocuparão. Como diz Pink: “Alguns jovens podem esperar conseguir empregos daqui a 10 ou 20 anos em setores que talvez nem mesmo existam hoje e ter cargos cujo título provavelmente ainda não consta do vocabulário atual.”
As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a posição nem as políticas do governo dos EUA. | ||||