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A 4ª Frota dos EUA: Trabalhando com parceiros regionais no apoio a interesses comuns

Artigo publicado no jornal O Globo em 07 de julho de 2008

Embaixador dos EUA no Brasil, Clifford M. Sobel

Embaixador dos EUA no Brasil, Clifford M. Sobel

Recentemente alguns líderes sul-americanos expressaram preocupacão em relação ao reestabelecimento da 4ª Frota da Marinha dos EUA. Alguns chegaram a dizer que a 4ª Frota é vista como uma “ameaça” aos países da América do Sul e foi até sugerido que o reestabelecimento da frota foi de alguma maneira relacionado com descobertas recentes de petróleo. É importante deixar bastante claro: não é o caso.

O reestabelecimento da 4ª Frota reflete o compromisso dos EUA em trabalhar com nações parceiras na região para responder a desastres naturais, oferecer assistência humanitária, participar em operações antidrogas e participar em exercícios navais tradicionais com parceiros regionais, incluindo o Brasil.  (Esses exercícios incluem UNITAS, que os EUA e outas nações do hemisfério ocidental vêm conduzindo anualmente há quase 50 anos.  O Brasil sediou a UNITAS maio passado, com a participação dos Estados Unidos, Argentina e Uruguai.)  Como o chefe do Comando Sul dos EUA, almirante James Stavridis, disse ao visitar o Brasil em maio: “Os Estados Unidos respeitarão vigorosamente as zonas territoriais e as zonas econômicas exclusivas das nações do mundo. Nós sempre respeitamos e sempre respeitaremos.”

O almirante Stavridis também enfatizou que a  4ª Frota “não é, de forma alguma, uma força ofensiva”. Na verdade, não haverá navios permanentemente alocados a essa frota, que consiste de uma equipe de planejamento de cerca de 120 pessoas baseada na Flórida. Relatos de que o porta-aviões USS George Washington seria parte da 4ª Frota estão errados. Esse navio integra a 7ª Frota e navegou em águas sul-americanas para participar dos exercícios UNITAS em seu trajeto rumo a sua nova base em Yokosuka, no Japão.

Pessoas que entendem sobre operações navais sabem que a 4ª  Frota tem por objetivo aumentar a segurança regional, não ameaçá-la. Como o comandante da Marinha do Brasil, almirante Julio de Moura Neto, observou em entrevista publicada recentemente, “Os Estados Unidos têm dado todas as garantias de que respeitarão todas as figuras jurídicas, criadas na Lei do Mar, por meio da Convenção das Nações Unidas para o Direito do Mar. E isso envolve as zonas econômicas exclusivas, onde os Estados costeiros têm o direito exclusivo de explorar os recursos vivos e não-vivos do mar, do solo e do subsolo. Os EUA têm manifestado, permanentemente, o respeito a essa convenção.”

Tendo em vista que 90 porcento do comércio mundial cruza os oceanos, a prosperidade e a segurança do mundo dependem do livre uso dos mares. O reestabelecimento da 4ª Frota dos Estados Unidos deve ser entendido nesse contexto, à medida que os EUA trabalham em cooperação com nossos parceiros da região no apoio aos nossos interesses marítimos comuns.