Coletiva de Imprensa: Plano de Ação para Eliminação da Discriminação Étnico-Racial
Moderador: Vamos dar início e anunciar as seguintes regras da coletiva de imprensa. A entrevista terá a duração máxima de 20 minutos. Peço que todos se limitem aos temas debatidos na reunião do Plano de Ação Conjunta Brasil-Estados Unidos e antes de cada pergunta o entrevistador deverá anunciar o seu nome e o veículo para o qual faz a cobertura. Podemos começar os trabalhos.
Pergunta: Glauber Morais, TVE Bahia (emissora de TV pública no Brasil) – Sr. Shannon, sra. Lisa Kubiske. Que tipos de ações e esforços poderão ser feitos após essa reunião?
Thomas Shannon: Muito obrigado pela pergunta. O Plano de Ação Conjunta é um esforço conjunto que não apenas liga nossos governos, mas nossas sociedades civis e nossos setores privados, e começamos com uma série de iniciativas voltadas para a construção de relações em especial entre nossas sociedades civis e universidades para que o Brasil e os Estados Unidos tenham mais condições de criar capacidade educacional e oportunidades. Nosso foco continuará nessa área, mas temos também algumas iniciativas muito importantes em outras áreas por meio do nosso Departamento do Trabalho e da construção de relações com o nosso setor privado, para tentar entender como as empresas no Brasil e nos Estados Unidos lidam com a questão da diversidade e tentam construir economias mais inclusivas.
Portanto, ao olharmos para o futuro, o que estamos tentando fazer é explorar os aspectos mais criativos e dinâmicos das nossas sociedades civis e dos nossos setores privados para trocar experiências, identificar financiamentos e criar programas de capacitação para que as pessoas possam aproveitar as oportunidades. Anunciaremos em breve um programa de pequenas doações que começará com a quantia de cerca de US$ 400 mil, o que nos permitirá, aos Estados Unidos e ao Brasil, trabalhar juntos usando um conjunto de critérios com os quais concordamos para identificar programas e projetos que ajudarão a conectar nossas sociedades civis e nossos setores privados e criar a capacitação de que estamos falando.
Mas o ministro também mencionou uma coisa importante em sua intervenção. Nós hoje estávamos falando sobre como pegar essa experiência comum e usá-la em outros países do nosso continente, porque a profunda influência dos afrodescendentes nas Américas é algo que só agora começa a ser entendida como fundamental ao desenvolvimento das Américas e de seu futuro, e gostaríamos de achar um modo de aproveitar essa experiência comum e construir uma rede maior de países que também contam com população significativa de afrodescendentes. Portanto, temos à nossa frente, creio, uma agenda de trabalho muito ambiciosa, mas é algo que, acredito, vai beneficiar os povos dos dois países.
Pergunta: Sra. Lisa Kubiske, que exemplo os dois países podem dar a outros países?
Lisa Kubiske: Acho que essas sessões que estamos tendo agora já são um exemplo, porque cada país, e o povo de cada país, assim como o governo de cada país, têm exemplos de coisas que fizeram bem, e só o fato de estarmos conversando e dando certa publicidade a essa questão, bem como a tentativa de pensar nos próximos passos, já é um exemplo muito bom.
Pergunta: Victor Rocha, jornalista político do jornal A Tarde – Gostaria de saber do sr. Shannon o que ele espera do Brasil no diálogo com a América Latina e a América do Sul sobre coisas como essas – questões sociais e raciais e outras questões econômicas?
Thomas Shannon: Sempre vimos nosso relacionamento com o Brasil como central para as nossas relações mais amplas com a América Latina. O Brasil é a segunda maior democracia e a segunda maior economia do continente, é também um país que tem influência e alcance que transcendem este continente. Assim, ao nos engajarmos com o Brasil, entendemos esse engajamento não como um engajamento continental ou regional, nós o vemos como um engajamento global. Creio ser muito importante que o embaixador Machado esteja aqui hoje em uma clara indicação de que o interesse do governo brasileiro neste Plano de Ação Conjunta é maior do que simplesmente uma relação entre ministros específicos, mas que tem também um entendimento ou um componente que ajuda a moldar nossos esforços maiores em termos de relações internacionais.
Nesse aspecto acho importante ressaltar o quanto o Plano de Ação Conjunta é novo e inovador na diplomacia, pois trata-se realmente de uma diplomacia de inclusão social. É na verdade uma diplomacia, como observou o embaixador Machado, que busca construir sociedades democráticas. Isso leva a um ponto focal importante do nosso engajamento com o Brasil, o entendimento de como podemos usar nossas experiências comuns não apenas em nossa relação bilateral, mas também em nosso engajamento com outros países do mundo, países que lutam para democratizar a sociedade, para se integrar às economias dos países vizinhos e para participar de um mundo cada vez mais globalizado. O Brasil tem tido muito sucesso nessa área, e achamos que esta é uma grande oportunidade para os Estados Unidos e o Brasil trabalharem juntos em uma área de preocupação comum.
Pergunta: Bom dia. Eu sou Cleidiana Ramos, repórter do jornal A Tarde. Sou especializada em questões de identidade negra e religiosidade. Eu queria saber do ministro Edson Santos, em relação aos eixos temáticos, o que é que a gente já tem de programas caminhando e se tem um prazo para o término dessa cooperação?
Ministro Santos: Os eixos são aqueles elencados: educação, saúde e trabalho, segurança, as comunidades tradicionais de quilombos, a cooperação nesse campo. O termo de cooperação tem que ser visto como um guarda-chuva de ações entre o Brasil e os Estados Unidos, mas já existem iniciativas no âmbito de intercâmbio de universidades brasileiras com universidades americanas. Ah, sim. Houve uma data para começar, mas a cooperação, ela vai existir enquanto houver interesse manifesto das partes. Então não há um prazo determinado para a finalização desse termo de cooperação. Eu acho que a avaliação de cada país, a posição de cada país é que vai ditar o período de existência desse plano de cooperação que eu espero que seja bastante longo.
Pergunta: Secretária Luisa Barros, como é que a Bahia se coloca nesse acordo, nesse plano de ação, até através próprias ações que já são desenvolvidas em prol da igualdade étnica e racial aqui na Bahia.
Luisa Barros: Do ponto de vista da discussão mais específica dos eixos que estão previstos no plano de ação, a nossa entrada da Bahia vai se dar a partir dessa reunião que está acontecendo agora. Mas a manifestação do governo baiano de interesse nessa relação, ela já havia sido estabelecida quando mesmo da visita da então secretária de Estado que, na viagem onde nasceu essa idéia, também visitou a Bahia. O que nós temos de interesse nisso vai ser discutido pela participação de alguns dirigentes do governo nessas reuniões de autoridades que estão previstas aqui e especialmente em alguns painéis também na área de educação, de saúde e de segurança, mais especificamente. E nosso intento é, a partir das diretrizes que vão ser tiradas, acordadas ou validadas nessa reunião e publicadas posteriormente quase que em um edital, digamos, que define como, no Brasil e nos Estados Unidos, nós poderemos participar. Eu não tenho dúvida que nós aqui, a partir da Secretaria de Promoção da Igualdade, já temos inclusive em mente alguns projetos para serem apresentados dentro desse Plano de Ação Conjunta e que diz respeito principalmente à questão da segurança pública, por um lado, e por outro lado, nessa questão da educação, no que se refere mais particularmente ao intercâmbio entre estudantes e pesquisadores de universidades americanas e baianas.
Pergunta: Luciane Reis, Correio Lagoa, aqui em Salvador (é um site alternativo). Senhor ministro, em quanto tempo o senhor acha que nós poderemos mensurar o resultado desse tratado atingindo diretamente a população negra no Brasil?
Ministro Santos: Olha só, nós temos esse termo de cooperação que envolve o governo brasileiro, o governo americano, o setor privado brasileiro, o setor privado americano e as sociedades civis desses dois países. Eu acho que a avaliação do impacto desse plano junto à população negra, inclusive a sua metodologia, deverá ser construída a partir do diálogo desses setores. Então, é evidente que na implementação do plano nós teremos resultados de médio e longo prazo, mas não dá para se fixar o tempo físico – exatamente isso que você me pergunta – dentro de um cronograma que nós iremos colher resultados efetivos.
Pergunta: Sr. Shannon novamente. O senhor acha que esse tipo de foro e diálogo com o Brasil é uma boa maneira de se tornar embaixador no Brasil? Desculpe pela pergunta fora do tema, mas o que o senhor pensa da posição do Brasil com relação à situação de Honduras?
Sr. Shannon: Nós estamos trabalhando conjuntamente com o Brasil e outros países das Américas no assunto de Honduras e nosso propósito é encontrar uma maneira de restaurar a ordem democrática e constitucional em Honduras, facilitando o diálogo entre os hondurenhos e tentando obter uma solução pacífica e que tenha capacidade de promover o futuro de ordem democrática e constitucional em Honduras. E o ministro Amorim e a Secretária Clinton têm um diálogo constante, fluido e frutífero sobre a situação em Honduras e acho que o Brasil e os Estados Unidos já estão trabalhando em uma maneira muito colaborativa no assunto de Honduras. Gostaria de demonstrar meu interesse em sua primeira pergunta. A única resposta nesse momento é que na política e na diplomacia, paciência é uma virtude. Respeitamos o papel do nosso Senado no processo de aprovação dos embaixadores e vou esperar com paciência.
Moderator: A gente agradece a presença dos veículos. Está encerrada a coletiva.