Coletiva Especial sobre a Viagem da Secretária Hillary Clinton à America Latina

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26 de fevereiro de 2010
Agência de Notícias dos Estados Unidos
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Inglês
(c) Agência de Notícias dos Estados Unidos 2010
As informações a seguir foram divulgadas pelo Departamento de Estado:

TONER: Bom dia a todos. Estamos muito felizes com a presença do secretário adjunto Arturo Valenzuela, que vai nos passar informações sobre a viagem da secretária Hillary Clinton à América Latina na próxima semana. Como todos sabem, ela fará uma viagem a Uruguai, Chile, Brasil, Costa Rica e Guatemala – novamente, de 28 de fevereiro a 5 de março.

E, sem mais delongas, passo a palavra ao secretário adjunto Valenzuela. Obrigado.

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA: Bom dia. Sim, estamos muito satisfeitos com a viagem da secretária esta semana ao Cone Sul e à América Central. Como vocês sabem, no ano passado a secretária foi ao México e à Trinidad e Tobago para a Assembleia Geral da OEA. E a viagem deste ano é uma continuação, é claro, dos nossos esforços para engajar os países do continente em toda uma grande variedade de questões. Vocês sabem que o presidente Obama e a secretária prometeram maior engajamento com os países do Continente Americano. Estamos trabalhando em um conjunto de questões bilaterais com todos os países da região.

Eles estão reunidos em três grupos gerais. O primeiro grupo é o que poderíamos chamar de competitividade e inclui questões de igualdade social e justiça social. O segundo grupo trata de questões de segurança pública, que é uma grande preocupação na maioria dos países da região onde estamos tentando analisar como reformular e repensar o modo de fazer nosso trabalho de colaboração com países do continente em problemas como criminalidade e crime organizado, além do combate às drogas. Por fim, estamos preocupados em como fazer parcerias com outros países da região em questões como governança democrática e como ter uma governança mais eficaz para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos do continente.
Esta é realmente uma época muito empolgante para a viagem. Como vocês devem lembrar, este é... 2010 é o 200o aniversário da Independência dos países das Américas. A independência real dos diversos países ocorreu em datas diferentes. Este ano, é da Argentina... 2010 Argentina, Chile, México e Colômbia.

Temos histórias comuns no que diz respeito ao estabelecimento no Novo Mundo de sociedades baseadas no conceito de soberania popular, profundamente influenciado pelo Iluminismo que esses são... este é o continente das formas republicanas de governo, portanto, o 200o aniversário é uma data muito importante. Essas sociedades são muito semelhantes em muitos aspectos: fragmentos da Europa estabelecidos no Novo Mundo... em países com sociedades indígenas, com migração forçada de escravos, com uma história de emancipação, em busca de tentar fortalecer o conceito de governança democrática, baseada na noção de justiça social e oportunidades iguais para todos. Portanto, temos metas e histórias comuns. E é isto o que estamos tentando fazer em nosso engajamento com o continente: manter conversações respeitosas, nas quais não vamos chegar e dizer às pessoas o que elas precisam fazer, mas, ao contrário, buscaremos apresentar soluções comuns para problemas comuns. E assim será o nosso diálogo durante toda a viagem.

Começamos pelo Uruguai em 1º de março com a posse do presidente Mujica. Esta é a segunda vez que um presidente de esquerda toma posse no Uruguai, e deve ser um momento empolgante. O Uruguai, como vocês sabem, é um país de longa e forte tradição democrática. É um país que vale muito mais do que pesa em termos de seu engajamento no mundo. Os uruguaios sempre foram bem conceituados e seus líderes, respeitados. E, deixem me lembrar-lhes, de que o Uruguai é o segundo maior colaborador per capita das operações de manutenção da paz entre todos os países do mundo. E, de fato, no Haiti, a contribuição uruguaia antes do terremoto para o esforço de estabilização do país por meio da ONU foi quase equivalente em termos do seu tamanho à contribuição do Brasil e só um pouco menor que a do Nepal. Os três países tinham mais de mil soldados. E o Uruguai continua muito interessado em trabalhar nisso.

Do Uruguai vamos a Santiago, ao Chile, nesse mesmo dia 1º de março à noite. A secretária terá uma reunião com a presidente Michelle Bachelet no dia seguinte. Ela é amiga da presidente. Esta será sua última semana no cargo. Elas participarão de um evento, um dos eventos notáveis que... ou projetos que a presidente Michelle Bachelet tem para tratar de questões de inclusão social, que foi uma das marcas de seu governo. E depois haverá uma reunião bilateral com o presidente eleito, Sebastian Piñera, que toma posse no dia 11 de março.

Do Chile, a secretária vai para o Brasil. Ela se encontrará com o presidente Lula e com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em Brasília, e depois viajará para São Paulo, onde visitará algumas entidades, em particular uma universidade afro-brasileira no Brasil.
De lá, a secretária vai à Costa Rica para a reunião da iniciativa Caminhos para a Prosperidade, que é uma reunião de ministros do continente, e discutirá sobre muitos dos assuntos que mencionei antes. A Caminhos para a Prosperidade é uma das iniciativas que leva a assinatura da secretária. Ela expandiu essa iniciativa iniciada anteriormente para acrescentar uma série de outros componentes, inclusive coisas como microcrédito e formas de empoderamento das mulheres. Tudo se encaixa no tema de tentar analisar modos de melhorar a competitividade, com um componente importante, também, de incentivo às parcerias público-privadas na busca de maior competitividade e no tratamento das questões de inclusão social. Temas como responsabilidade social corporativa, por exemplo, também estarão na pauta.

Depois, nesse mesmo dia, ela terá uma reunião bilateral com o presidente Arias que, como vocês sabem, também está deixando o cargo, e vai se encontrar com a presidente eleita da Costa Rica, Laura Chinchilla.

Finalmente, no último dia da viagem, que será na próxima sexta-feira, ela viajará para a Guatemala, onde se reunirá com o presidente Colom e, ao mesmo tempo, com vários outros presidentes de países da América Central, inclusive o presidente Lobo, de Honduras, e o presidente Funes, de El Salvador. O presidente Fernandez também chegará da República Dominicana. E o presidente Arias também estará presente.
As presenças ainda não estão todas confirmadas porque as pessoas estão acertando suas agendas. De todo jeito, esse é o nosso objetivo nessa viagem. Estamos muito entusiasmados com a viagem, e a secretária também está muito empolgada, e estou à disposição para responder às perguntas sobre a viagem.

PERGUNTA: Posso perguntar sobre dois países que ela não visitará, Argentina e Honduras, e por que não?

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
Em todas essas coisas, é sempre complicado fazer uma agenda de viagem com relação a todos os aspectos, desde tempo de voo até algumas outras prioridades da secretária...

PERGUNTA
: Qual é o tempo de voo entre Montevidéu e Buenos Aires?

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
Tem...

PERGUNTA
: Cerca de dez minutos?

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
Minha impressão, isso tem a ver com...

PERGUNTA
:E o tempo de voo entre Costa Rica e Guatemala e Honduras...

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
Sim. Certo. Certo. Guatemala.

PERGUNTA
: -- ... é de cerca de...

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
O voo para o Uruguai dura a noite toda, portanto... somente em termos da logística do voo, fazia muito mais sentido ir apenas ao Uruguai e depois ter uma reunião bilateral com a presidente da Argentina, e essa reunião será no dia 1o de março à tarde. Essa viagem foi organizada em torno da posse no Uruguai. Portanto, quando analisamos a agenda e pensamos em como atingir o máximo de países possível no Cone Sul em torno da posse no Uruguai, chegamos a essa agenda.

E a viagem de volta também, o voo de São Paulo para a Costa Rica leva cerca de sete horas também. Portanto, é muito... é um lembrete de como este continente é grande. E, na verdade, lembrem-se de que uma viagem de Miami a Montevidéu equivale provavelmente a uma viagem de Miami a Moscou.

PERGUNTA
: Certo. Bem, então, o senhor diz que a viagem foi organizada em torno da eleição uruguaia. Também poderia ter sido facilmente organizada em torno da posse chilena, não?

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
É verdade.

PERGUNTA
: Portanto, há um tipo de…

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
Não, é que…

PERGUNTA
: Vocês estão tentando enviar algum tipo de sinal, que...

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
Não estamos tentando enviar nenhum tipo de sinal. Isso teve a ver em grande parte com a agenda da secretária. E, em um mundo ideal, participaríamos de todas essas posses, mas obviamente é difícil fazer isso. Portanto, quando vimos o calendário, considerando que a reunião da iniciativa Caminhos para a Prosperidade estava agendada há mais tempo, essa foi a melhor maneira de combinar as coisas. E estou muito satisfeito com o modo que conseguimos cobrir todos os interesses que queríamos cobrir.

PERGUNTA
:Os eventos da posse em Montevidéu vão atrair líderes de toda a região, alguns dos líderes de esquerda que por vezes têm antagonizado os Estados Unidos — Morales, Chávez, acho que até Raul Castro poderá ir. Confere?

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
Não sei. Acredito que não. Não acho que ele… sim?
PERGUNTA: Ok. Haverá reuniões bilaterais com alguns desses líderes? E, no caso de Chávez e Morales, a secretária vai interagir com eles nos eventos?

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
Bem, exatamente por causa disso… o foco era ser uma viagem ao Cone Sul, a única reunião bilateral agendada é com Cristina Kirchner, presidente da Argentina.

PERGUNTA
: O senhor pode detalhar o que as duas vão discutir? As Malvinas certamente farão parte da conversa? O senhor está preocupado com o que está acontecendo lá?

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
A pauta com a Argentina é ampla, e acho que não serão discutidas apenas questões bilaterais, mas também algumas questões internacionais. Os argentinos têm se manifestado sobre questões como o Irã e o terrorismo internacional. Essas são questões que discutiremos com eles. Não discutiremos a questão das Malvinas com eles. Esse é um assunto para a Argentina e para a Grã-Bretanha. Não é um assunto para os Estados Unidos manifestarem sua opinião.

TONER:
Gostaria de lembrar aos colegas de mencionar seu nome e o do veículo de imprensa.

PERGUNTA
: Sou (inaudível) da CNN em Espanhol. Senhor secretário, ontem ou há alguns dias, a presidente Cristina Kirchner falou com a CNN em Espanhol e basicamente disse estar muito decepcionada com a maneira que o presidente Obama estava lidando com todas essas questões e com todas as relações com a América Latina, que estava tudo muito desconectado, e a questão de Honduras, em especial, foi realmente decepcionante. (Inaudível) Chávez também disse algo nesse sentido. Como o senhor vê isso? E o ambiente é propício para falar com os argentinos e de certa forma levar outra mensagem depois do que aconteceu no ano passado?

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
Bem, ela...

PERGUNTA
:Não sei se seria possível o senhor falar sobre isso em espanhol depois. Seria possível, por favor?

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
Você quer que eu fale um pouco em espanhol?

PERGUNTA
: Não, se o senhor não puder…

TONER:
Transcrição –

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
É claro que ela tem direito de ter sua opinião sobre essa questão. Simplesmente nós discordamos. Em nossa opinião, não apenas tivemos um envolvimento bastante significativo durante o último ano com os países do continente, como, ao mesmo tempo, tivemos de nos concentrar em duas crises bastantes difíceis e importantes, a primeira sendo, é claro, o golpe de Estado em Honduras, que ocorreu em junho passado, e depois mais recentemente o terremoto no Haiti, que de fato absorveu muito da nossa atenção e onde vemos, aliás, cooperação significativa entre os países das Américas, inclusive a contribuição que os argentinos fizeram nas operações de manutenção da paz no Haiti.

Sobre Honduras, como podemos ver hoje… uma das razões de a secretária estar participando também dessa reunião com os países centro-americanos é precisamente porque os países da América Central tiveram papel de liderança bastante relevante ao tentar obter uma solução para a crise hondurenha. E vemos indicações agora de que não apenas os países centro-americanos, mas outros países da América Latina, estão avançando no sentido de reconhecer o governo do presidente Lobo e reintegrar Honduras à Organização dos Estados Americanos.
Portanto, consideramos que o resultado em Honduras é um caso muito bem-sucedido de defesa de um princípio bastante fundamental, a saber, que não é possível tolerar um golpe de Estado em um país. Isso estabelece um precedente terrível. E, nesse sentido, nos juntamos à unanimidade do continente a esse respeito. Mas, ao mesmo tempo, uma solução tinha de ser encontrada para Honduras. Como um presidente centro-americano me disse durante as conversações, não podemos permitir que Honduras se transforme em Mianmar. Precisamos trabalhar para tentar ver como podemos engajá-lo novamente. A eleição foi reconhecida pela comunidade internacional como válida. Ela certamente refletiu a vontade do povo hondurenho. Neste ponto, medidas foram tomadas para que Honduras retorne ao sistema interamericano e para que a ordem democrática e constitucional seja plenamente restaurada no país.

PERGUNTA
: Mas se eu puder continuar aquele ponto, sobre a reunião com Cristina Kirchner, como será esse encontro depois de se dizer que há decepção na região e basicamente depois de declarações muito contundentes de Kirchner e Chávez dizendo que estão muito decepcionados com a maneira que o presidente Obama está conduzindo a relação com a América Latina?

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
Bem, quando temos esses encontros, também nos encontramos com pessoas das quais talvez discordemos. Na verdade, uma das razões pelas quais é importante agendar uma reunião como essa e pelas quais propusemos essa reunião foi precisamente para podermos ter uma troca de opiniões sobre algumas dessas questões. E, caso essa seja realmente a posição da presidente, vamos discordar sobre a maneira como a situação hondurenha evoluiu.
Mas permita-me enfatizar novamente que no nosso diálogo com os argentinos há muitas coisas sendo tratadas bilateralmente... em bases bilaterais bastante construtivas. Há muita cooperação em questões de aplicação da lei que são muitos importantes, como enfatizei anteriormente. E, ao mesmo tempo, ficamos satisfeitos com os votos dos argentinos na Agência Internacional de Energia Atômica sobre o Irã. E a posição argentina sobre o terrorismo internacional tem sido muito boa.

Portanto, vamos conversar. Considero que compartilhamos muitas coisas com os argentinos e gostaríamos muito de poder fortalecer nossa relação com a Argentina à medida que avançamos.

PERGUNTA
: Quero fazer uma pergunta sobre o Brasil (inaudível), embora eu seja da Argentina (inaudível). A pergunta é: em maio, o presidente Lula viajará para Teerã. E ontem foi dito nesta mesma sala que, embora o Brasil tenha muita influência, também tem de ter responsabilidade. Quero ir direto ao ponto: que tipo de conversas serão tidas com Lula? Vocês vão dizer a ele: Lula, você precisa pressionar mais o Irã? Qual é o ponto de fato na reunião com Lula com relação ao Irã?

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
Bem, como vocês sabem, o subsecretário Bill Burns está no Brasil hoje e, portanto, ele vai conversar com seus pares sobre muitas questões, mas também sobre essa questão em particular. E a secretária terá as mesmas conversas lá.
E permitam-me deixar absolutamente claro que diremos aos nossos pares brasileiros que os encorajamos a incentivar o Irã a reconquistar a confiança da comunidade internacional cumprindo suas obrigações internacionais, que consideramos não terem sido cumpridas. Portanto, vamos conclamar os brasileiros a assumir um papel construtivo com relação ao seu engajamento com o Irã.

PERGUNTA
:Sr. secretário adjunto, o senhor fala sobre muitas coisas que os Estados Unidos têm em comum com a região. Parece que a região, nos últimos meses, e desde que este governo foi empossado, se sente um pouco mais afastada dos Estados Unidos no seguinte – na semana passada, por exemplo, os países da região formaram nova aliança regional que deixou os Estados Unidos de fora e incluiu Cuba. Houve divergências sobre Honduras, alguns diriam desapontamentos com os EUA no caso de Honduras. Houve divergências quanto ao acordo com a Colômbia sobre uma base americana, desapontamentos para alguns países.

E assim eles estão – em alguns casos, esses países estão forjando relações econômicas e políticas que substituem as relações com os Estados Unidos e que, segundo alguns, vão contra os interesses dos EUA, como o Brasil e o Irã. Portanto, os Estados Unidos sentem de alguma maneira que em seus esforços para tentar deixar de comandar a região, também estão começando a perder influência sobre ela?

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
Acho que não, e se o senhor realmente olhar para o passado e olhar a história das relações entre os Estados Unidos e a região, posso lembrar de muitos períodos em que houve uma dissonância muito maior entre os Estados Unidos e os países da América Latina. Se quiser, podemos olhar bem para trás, mas não temos tempo para isso.

Mas, com certeza, no século 19, como disse antes sobre a comemoração dos aniversários, do ducentésimo aniversário da independência, os Estados Unidos apoiaram os países da América Latina contra os poderes coloniais quando tentaram impor outra vez o regime colonial na região. Foi a famosa Doutrina Monroe, nessa época específica, para fazer o poder europeu ficar fora da região.

O período da grande diplomacia foi muito difícil, quando os Estados Unidos ocuparam de fato muitos dos países da região. Então, é claro, tivemos a Política da Boa Vizinhança sob o governo de Franklin Roosevelt, e depois um período muito difícil durante a Guerra Fria. Se eu pensar sobre essas várias épocas específicas e os momentos difíceis, mesmo recentemente, por exemplo, os problemas que talvez tenhamos tido com as guerras da América Central, esta época é muito, muito diferente.

É a era do pós-Guerra Fria. Na verdade, não há diferenças muito significativas entre os Estados Unidos e os países das Américas. Temos metas bastante comuns. Buscamos os mesmos objetivos. Queremos melhorar a qualidade de vida de nosso povo. Este é um continente no qual não temos os mesmos tipos de desafios que temos em outros lugares do mundo. E esse é um dos motivos pelos quais os Estados Unidos parecem prestar menos atenção à região no âmbito, digamos, do presidente.

Mas não é o caso. Estamos permanentemente – por exemplo, o fato de não termos nas Américas problemas de proliferação nuclear significa, é claro, que esse é um aspecto que não temos de tratar nas Américas. Na verdade, existe consenso em muitas questões amplas. E o que estamos buscando é fortalecer esses – esse consenso. Sei também que existem vozes dissonantes por aí, mas deixem-me voltar à sua primeira observação.
Também não vemos a tentativa de países da América Latina de montar alguns de seus próprios mecanismos de integração tão prejudicial, de maneira nenhuma, aos objetivos dos Estados Unidos – pelo contrário. Se, de fato, mediante esforços de integração, eles puderem criar níveis mais altos de confiança entre os países, se puderem evitar os protecionismos, que com frequência aplicaram entre os países, a fim de expandir o comércio, se puderem criar uma integração melhor, isso reduzirá o conflito entre Estados. Todas essas coisas são importantes. Não são prejudiciais aos interesses dos EUA.

Deixem-me dizer uma última coisa. O fato de eles falarem em criar algumas dessas outras organizações, coisa que fizeram também no passado, não significa que eles abandonarão a OEA. E a Organização dos Estados Americanos é uma instituição de qualidade diferente. Ela se baseia em tratados. Baseia-se em amplos acordos como a Carta Constitucional Interamericana e também a Convenção Interamericana de Direitos Humanos, todo esse tipo de coisas. São tratados vinculativos que datam de muito tempo. Vemos agora a importância de fortalecer, de fato, a Organização dos Estados Americanos. O surgimento de outras instituições não é necessariamente um problema.

PERGUNTA
:Obrigado.

TONER:
Mais uma ou duas perguntas.

PERGUNTA
:Para continuar na --

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
Certamente.

PERGUNTA
: Última pergunta: mas a secretária Hillary Clinton ressaltou, no ano passado, que durante o que ela disse ser uma falta de engajamento durante o governo anterior, outros países tinham feito incursões por aí – a China e o Irã e, creio, talvez a Rússia também. Não consigo lembrar com exatidão os países que ela mencionou. Mas isso – está implícito que os EUA perderam influência na região, portanto, quero dizer, eles estão recuperando essa influência, e como?

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
Bem, se analisarmos os fluxos de comércio, se analisarmos os fluxos de investimentos, se analisarmos os fluxos culturais, se analisarmos os fluxos de pessoas, se analisarmos coisas como remessas de dinheiro – são cerca de US$ 50 bilhões a $70 bilhões em remessas dos Estados Unidos para os países da América Latina – também mostram a enorme integração do nosso continente e o papel importante que os imigrantes latinoamericanos desempenharam nos Estados Unidos e na criação de vínculos mais fortes entre nossos países. Vejo então um processo realmente vigoroso de engajamento cultural, assim como em todos esses outros esforços que estamos fazendo.
Agora, na questão da China, esse foi um período muito – em que a América Latina foi muito bem-sucedida economicamente. Se voltarmos aos anos 1980, na época em que falávamos sobre as enormes incoerências da região, também tivemos sociedades em que havia – economias com hiperinflação e estagnação. O motivo pelo qual os países da América Latina conseguiram resistir à crise financeira internacional foi terem feito algumas reformas fundamentais e começado de fato a exportar para outros países. E a China tornou-se um destino de exportação muito, muito importante para os países das Américas.

Assim, parte da resposta é que queremos estimular os países a exportar, queremos estimular os países a crescer, a ser mais dinâmicos, a criar empregos e a se engajar mais com a comunidade internacional. Portanto, não consideramos necessariamente tão prejudicial aos nossos interesses; pelo contrário, sociedades e economias bem-sucedidas são do nosso interesse. O que deve nos preocupar são incursões de países como o Irã. Ainda não está bem claro quais são seus objetivos na região.

Falando de modo geral, porém, houve um engajamento da América Latina com o resto do mundo – é por isso que os chilenos tiveram tanto êxito. Creio que os chilenos têm cerca de 57 acordos de livre comércio com países do mundo todo, sua economia cresceu enormemente, e desde 1990 eles reduziram os índices de pobreza de 40% para 12%. É um engajamento com o mundo que vemos com satisfação.

Muito obrigado.

PERGUNTA
:O engajamento com o Irã – posso perguntar apenas uma coisa?

TONER:
Certamente.

PERGUNTA
:O engajamento do Brasil com o Irã, o senhor considera útil para os Estados Unidos? Quer dizer, ouvi muitos relatos conflitantes de que Estados Unidos acreditam, de alguma forma, que o Brasil possa atuar como mediador importante, de certo modo, para os Estados Unidos e que talvez haja alguma vantagem no fato de o Brasil manter relações com o Irã. O senhor pode me dizer se os Estados Unidos consideram isso uma coisa boa ou ruim?

SECRETÁRIO ADJUNTO VALENZUELA:
Bem, deixe-me dizer o seguinte. Em minhas conversas e nas de outras autoridades do governo dos EUA com os brasileiros, eles realmente dizem isso. Eles dizem que querem se engajar porque querem ter influência, e que ao ter influência poderão pressioná-los.

O que queremos dizer aos brasileiros é que, se houver engajamento com o Irã, nós realmente gostaríamos de estimular vocês e pedir que usem de fato esse engajamento de maneira a poder pressionar os iranianos a cumprir realmente suas obrigações internacionais fundamentais. Se não fizerem isso, então ficaremos desapontados. Se o fizerem, então acredito que poderão dar um passo importante.

PERGUNTA
:Obrigado.

PERGUNTA
:Obrigado.